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21 DE JULHO DE 2007, SÁBADO
A batalha de Lisboa, epílogo
por Cipriano Justo
Cipriano Justo em novo e último artigo volta a intervir sobre a importante batalha eleitoral que se travou na cidade de Lisboa, e que foi redigido propositadamente entes de ser conhecido o desfecho das negociações para a governabilidade da Câmara.
A batalha de Lisboa, epílogo

Cipriano Justo

Contados os votos, feitas as contas e comparando o que é comparável, tornando-se necessário para o efeito ajustar os resultados de 2005 à abstenção verificada em 2007, O BE perde 2 159 votos (14%), a CDU perde 3 706 votos (17%), o CDS perde 4 349 votos (37.5%), o PSD perde 52 323 votos (63%), o PS ganha 5 834 votos (11%) e as candidaturas lideradas por Carmona Rodrigues e Helena Roseta obtém, respectivamente, 32 734 votos e 20 006 votos. Globalmente, 62 534 eleitores alteraram o seu sentido de voto, tendo a candidatura de Carmona Rodrigues recolhido 52% dessa flutuação, a candidatura de Helena Roseta 32%, o PS 9% e as outras candidaturas 9%.



Na ausência de instrumentos que nos permitam medir com rigor sociológico a rotação dos votos entre as candidaturas, centramos uma hipótese de explicação provisória destes resultados em três dimensões: o processo que conduziu à convocação das eleições intercalares, a filiação político-ideológica das candidaturas, os programas e as campanhas eleitorais. As oscilações, as ambiguidades e o atraso no desfecho de uma governação que há muito se tinha tornado insustentável terá contribuído para explicar o desinteresse dos eleitores por estas eleições de tal maneira que nem a emergência de candidaturas desvinculadas do sistema partidário conseguiu mobilizá-los. Contudo, e comparando com outras situações similares, noutras autarquias, presumimos que tenha sido a percepção do carácter intercalar do acto eleitoral que mais tenha influenciado os lisboetas a absterem-se. Apesar disso, e se colocarmos a abstenção verificada do lado dos custos, mesmo assim o benefício líquido alcançado foi altamente favorável para Lisboa.



Mais do que independentes, designação sempre atrabiliária em política, as duas candidaturas que se apresentaram como tal, pelas circunstâncias e pela proximidade cronológica em que surgiram, eram candidaturas eminentemente dissidentes, e por essa razão o mais provável é que tenham captado, mais do que eleitorado crítico do actual sistema político-partidário, eleitores da base social dos partidos onde consumaram a sua dissidência. Faltou-lhe o luto para tornar consistente o seu distanciamento e o seu discurso crítico relativamente ao modelo de funcionamento dos partidos. Em partes naturalmente muito desiguais as candidaturas do PSD e do CDS contribuíram com mais de 56 mil votos e as candidaturas do BE e da CDU com cerca de 6 mil votos para as candidaturas de Carmona Rodrigues, Helena Roseta e do PS, sendo bastante provável que relativamente à candidatura do PS se tivesse verificado uma circulação líquida positiva de votos entre as candidaturas do PSD e do PS e entre esta e a candidatura de Helena Roseta. Com 16.7% e 10.2% dos votos expressos podemos inferir que o discurso sobre a miséria dos partidos colhe muito menos adeptos à esquerda do que à direita o que, representando uma tendência histórica – foi sempre a esquerda que reivindicou a necessidade da constituição de partidos político para afirmar as suas propostas -, sinaliza também os riscos de programas políticas assentes na transversalidade das soluções.



Mais do que uma análise em profundidade sobre quem alterou o seu voto a favor de quem, importa constatar a flutuação de mais de um terço dos votos expressos. Somada a acontecimentos próximos equivalentes e a outros mais remotos – candidaturas de Otelo Saraiva de Carvalho, Salgado Zenha, Maria de Lurdes Pintassilgo, PRD -, pode concluir-se que permanece intacto na sociedade portuguesa um potencial de experimentação política, particularmente acentuado à esquerda, requerendo respostas mais estruturadas do que aquelas que têm sido ensaiadas, não tanto para fazerem a apologia e o elogio da “morte súbita” do sistema partidário mas para se constituírem como comunidades de pensamento e de acção que fazem escolhas explícitas, são consequentes com elas e aspiram a ir mais alem do que a alternância. Nesse aspecto, as eleições intercalares para a cidade de Lisboa estiveram longe de representar um bom ensaio.



Com cerca de 60% dos votos e 65% dos mandatos, PS, BE, CDU e Cidadãos por Lisboa têm as condições necessárias para encontrarem uma solução de governabilidade até 2009, mau grado o tacticismo que continua a imperar nestas candidaturas. Porém, vale a pena ter presente que no próximo acto eleitoral o julgamento dos lisboetas incidirá principalmente na obra que tiver sido realizada e por quem a tiver realizado, mais do que no resultado dos combates de trincheira. Por essa razão não deverá ser tida como vãs a energia e o esforço gastos na procura de uma plataforma programática de entendimento entre aquelas candidaturas, sendo desejável que qualquer que seja o formato que venha a revestir-se ele também possa servir de contraponto às políticas e ao modo de governar da actual maioria.



 
Petição Radares 50 --> 80
Enviado por Fernando Penim Redondo, em 25-07-2007 às 21:56:47
Decidi lançar uma petição on-line, dirigida ao Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, para que os radares passem a limitar a velocidade não a 50 mas a 80 km/hora, em todos os locais que tenham pelo menos quatro faixas de rodagem e baixa frequência de atravessamentos.

Podia ser uma forma de a nova vereação mostrar que está atenta ao sentimento popular.

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Petição pela conversão do limite dos 50 km/h em 80 km/h

Os radares instalados pela Câmara Municipal de Lisboa, que impõem limites de 50 quilómetros à hora em locais como, por exemplo, a Av. Infante D. Henrique, a Av. de Ceuta, a Av. Marechal Gomes da Costa e a Av. Gago Coutinho são uma verdadeira aberração.
Quem os decidiu não deve, não pode, ter a noção do que significa na prática um tal velocidade.

Como não é possível impor a todos os automóveis um limite de zero quilómetros à hora, por forma a evitar todos os acidentes, temos que encontrar um equilíbrio razoável entre a velocidade e os riscos.
Esse equilíbrio não é, certamente, 50 km/hora. Dá sono, propicia distracções, provoca travagens bruscas e emperra visivelmente a circulação.

Em Lisboa, o limite de 50 km/h foi imposto precisamente nos locais onde, pelas características da rodovia, os lisboetas podiam, depois de muitos engarrafamentos, andar um pouco mais depressa sem correr grandes riscos.

Os jornais informaram que são mais de 2.500 as infracções detectadas pelos radares todos os dias em Lisboa; ao fim de uma semana detectaram cerca de 17.800 condutores em excesso de velocidade e produziram, desta forma, um milhão de euros de receitas dos quais 320 mil terão como destino os cofres da câmara.

Nem os lisboetas são todos irresponsáveis como os números poderiam indiciar nem as dificuldades financeiras de Lisboa justificam tal campanha de caça à multa. Há portanto que corrigir esta absurda prepotência desencadeada pela vereação recentemente substituída.

Vimos por este meio exigir ao recém eleito Presidente da Câmara de Lisboa, Doutor António Costa, que tome as medidas necessárias para converter o actual limite dos 50 km/h para os 80 km/h em todos aqueles troços que

Quem concordar pode assinar esta petição em:

http://www.petitiononline.com/dotecome/petition.html
Lisboa
Enviado por nídia zózimo, em 23-07-2007 às 15:36:39
Estás a fazer umas análises muito interessantes.
Eleições LX
Enviado por Margarida Moreira, em 21-07-2007 às 11:25:29
Gostei desta análise

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