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03 DE OUTUBRO DE 2008, SEXTA FEIRA
FONTE: Publico
POR: Cipriano Justo
Uma candidatura de esquerda para Lisboa
"Na mais do que provável hipótese de surgir uma candidatura da direita unida ao governo de Lisboa nas eleições do próximo ano, os passos que já foram dados em direcção a um entendimento à esquerda, sendo necessários, ainda são insuficientes."
Os pressupostos que levaram à aproximação entre o PS e a candidatura Lisboa é Gente e recentemente entre António Costa e o movimento Cidadãos por Lisboa embora não tenham obedecido à ortodoxia que geralmente preside a estes acordos não deixam de constituir manifestações que procuram sinalizar uma direcção na condução da política da cidade. Embora a duração do teste não seja suficientemente prolongada para ajuizar da sua robustez, os efeitos já evidenciados, nomeadamente pela solução encontrada entre o PS e a candidatura Lisboa é Gente, levam a pensar que, comparativamente, os lisboetas lucraram mais com ela do que com a situação que a antecedeu. E esse deve constituir o principal critério de avaliação quando se analisa a bondade da decisão que então foi tomada.

Em democracia, viver na oposição, da oposição e para a oposição pode ser desconfortável mas não deixa também de ser uma espécie de clandestinidade dourada. Passar da oposição para a “tortura” da governação é o passo que distingue quem está disposto e tem um programa para a acção de quem aguarda pelo argumento universal para avançar. Cada uma à sua maneira, fizeram bem as candidaturas Lisboa é Gente e Cidadãos por Lisboa em terem conseguido encontrar uma base material de entendimento com a candidatura do PS e com o actual presidente da Câmara Municipal. Passados que serão trinta e cinco anos desde a queda do Estado Novo, em 2009 os portugueses saberão distinguir as diferenças e os contornos do que está em jogo nos três actos eleitorais desse ano. As flutuações encontradas nos valores de cada formação partidária entre as eleições para a Assembleia da República e as autarquias estão aí para o demonstrar. Não quer isto dizer que a imunidade eleitoral seja total; quer dizer tão só que se verifica sempre uma intersecção entre as duas tendências de voto qualquer que seja o espaço de tempo que as separe. A explicação para a amplitude dos diferenciais deve ser investigada mais nas alternativas apresentadas e defendidas ao longo de uma série temporal alargada do que na contagiosidade dos miasmas produzidos durante uma campanha eleitoral.

Arriscar um formato em que a esquerda se sinta confortável para disputar as próximas eleições em Lisboa pode ser temerário mas não deixa de ser um exercício para o qual a contagem decrescente já começou. As soluções são várias comportando cada uma delas também diferentes riscos. Um dos quais é de, apesar de minoritária, a direita passar a deter a presidência. As reuniões magnas do PCP, BE e PS não deixarão certamente de ponderar esta eventualidade e dar indicações sobre o sistema de alianças mais favorável. No entanto seria desejável que elas levassem em linha de conta o caminho de convergência já percorrido e os resultados já alcançados. A constituição de uma entidade polarizadora de todos os actores políticos à esquerda do PSD seria o maxime que se poderia esperar e a garantia de que a gente e os cidadãos que habitam Lisboa, enfim as pessoas que povoam a cidade, da alba ao entardecer e pela noite fora, passariam a ter razões acrescidas para ela não lhes despertar “um desejo absurdo de sofrer”. Dirigente da Renovação Comunista


 

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