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12 DE ABRIL DE 2009, DOMINGO
FONTE: Público de 11/04/09
POR: Domingos Lopes
Onde fica o Hindu Kush, sr. engenheiro?
"A ocupação favoreceu os terroristas, que controlam grande parte do Afeganistão e dominam as províncias do Paquistão". Leia este artigo que Domingos Lopes publicou ontem no Público

Barack Obama defende que a segurança da Europa e dos EUA se defende no Hindu Kush... e que os EUA não saem da Ásia Central sem derrotar a Al-Qaeda.
Será verdade que a Europa se defende nas montanhas do Afeganistão?
Dito de outro modo, se a NATO não mantiver o Afeganistão, o que acontecerá aos EUA e à Europa?
Desde 2001 que os EUA e depois a NATO ocupam aquele país sob o pretexto que os taliban davam apoio à Al-Qaeda. E que sucedeu? O terrorismo diminui ou aumentou a sua actividade, sobretudo no Afeganistão e Paquistão?
A resposta é evidente. A ocupação favoreceu os terroristas, que controlam grande parte do Afeganistão e dominam as províncias do Paquistão que fazem fronteira com o Afeganistão e têm lançado aquele país no caos e destabilização.
Mais tropas e mais dinheiro podem, eventualmente no terreno militar, fazer recuar o avanço das forças que combatem militarmente os EUA e a NATO, mas daí a derrotar essas forças só por esse meio não é seguro. Tal facto significa que os EUA nunca mais sairão do Afeganistão? Além de que o reforço militar a prazo não resolve o problema de fundo: o desenvolvimento económico e social do Afeganistão.
Enquanto a imensa maioria dos afegãos viver na extrema miséria e a elite protegida pela NATO na opulência, não haverá estabilidade.
O grande inimigo dos povos e dos países não é o terrorismo, mas sim a extrema pobreza, a subnutrição, a miséria e a fome. Os povos que não tenham o mínimo para sobreviverem estão e estarão reféns dos variados terrorismos.
Os países enfraquecidos pela crise económica gerada pelos grandes impérios financeiros também estão à mercê de todos os terrorismos, caso não encontrem vias que permitam às suas populações ter acesso ao mínimo de condições para viver.
Nestas circunstâncias, não se compreende como pode um pequeno país, periférico, mergulhado numa profunda crise económica, financeira e de valores, prestar-se a enviar para o Afeganistão o dobro dos militares que já aí se encontram.
Sócrates anunciou que Portugal aceitaria o pedido de Obama e enviaria mais militares para o distante Afeganistão, aceitando implicitamente que a segurança de Portugal tem lugar no Hindu Kush, em Kandahar ou em Cabul...
Trata-se de uma decisão de puro seguidismo, pois, como se sabe, a segurança de Portugal tem a ver com o desemprego, com a criminalidade em zonas-chave dos grandes centros urbanos, tal como vem relatado no relatório anual e oficial sobre a segurança.
Quer do ponto de vista internacional, quer do ponto de vista interno, a decisão de enviar mais tropas é um erro.
No plano internacional, dilui Portugal no conjunto dos vinte e sete, onde o seu peso é praticamente nulo.
Se não enviasse tropas para aquele país, esta posição dava visibilidade por ser de um país à beira do Mediterrâneo, onde se encontra, na margem sul, um conjunto largo de países árabes - muçulmanos com os quais Portugal tem todo o interesse em ter as melhores relações.
Além disso, seria uma posição equilibrada no sentido de não se deixar envolver numa guerra que, de todo, não é sua, que não a dirige, em que não conta quanto ao seu desfecho.
Do ponto de vista interno, não tem qualquer sentido, pois a segurança de Portugal e dos portugueses está nas ruas, nas instituições, nas fábricas e nas fronteiras de Portugal.
Quando o garnizé quer cantar de galo, mais tarde ou mais cedo sofrerá as consequências.
Presidente do Fórum pela Paz e pelos Direitos Humanos



 

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