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16 DE ABRIL DE 2009, QUINTA FEIRA
POR: Manuel Oliveira
UMA CENTELHA DE ESPERANÇA
No desejo de comentar e discutir o Apelo à Convergência de Esquerda nas Eleições para Lisboa inserimos hoje o primeiro comentário do renovador Manuel de Oliveira. Outros, de certeza, lhe seguirão o caminho. Incitamos desde já todos os nossos leitores a envolverem-se nesta discussão enviando os seus textos para o e-mail indicado no site. A recolha de assinaturas para a petição encontra-se na coluna da esquerda.

Caros Camaradas:

1 – O APELO que a RC lançou a todas as forças políticas de esquerda para que concretizem uma “coligação de esquerda” que concorra à autarquia de Lisboa nas próximas eleições autárquicas, para dessa forma afastar liminarmente a possibilidade (real) de que a direita recupere a presidência da C.M. de Lisboa é – e seja qual for o seu resultado – um facto político assinalável.
Estou convicto de que este APELO vai ao encontro dos anseios da grande maioria dos eleitores de Lisboa, sendo pois de esperar que a subscrição da petição seja um êxito.
O APELO é também um estímulo para aqueles que têm vindo, persistentemente e desde há muitos anos, a pugnar por uma “alternativa de esquerda” que englobe o PS no Porto, em Lisboa e no governo do país, ou para utilizar a feliz expressão de Cipriano Justo que englobe “todos os actores políticos à esquerda do PSD”.
E se, de algum modo, os meus textos “A Alternativa” ou a “Alquimia na C.M. de Lisboa” contribuíram, ainda que modestamente, para a RC avançar com esta iniciativa, então fico duplamente satisfeito e com o ânimo mais reforçado para continuar a bater-me por aquilo que considero ser, nesta conjuntura política concreta, o melhor para os trabalhadores e para o país.

2 – Infelizmente, e ao contrário do que sugere Paulo Fidalgo, o timing desta iniciativa não é, manifestamente, o mais adequado. E todos sabemos a importância que tem, em política, o timing certo. Às vezes é decisivo.
Como é óbvio, se esta iniciativa tivesse sido lançada antes das recentes reuniões magnas dos partidos de esquerda, não só se lhes retiraria argumentos para recusarem este APELO, como não tenho dúvidas de que pensariam duas vezes antes de decidirem excluir “este PS” de qualquer entendimento ou convergência de esquerda.
A RC poderia perfeitamente ter feito este APELO atempadamente se não tivesse andado entretida com discussões metafísicas, ou a fazer de “barriga de aluguer” de estratégias políticas alheias.
Mas esqueçamos tudo isso já que “não adianta nada chorar sobre o leite derramado”.

3 – O APELO, ao confrontar o PS, o PCP e o BE com as suas próprias responsabilidades perante os eleitores de Lisboa, colocou “o dedo na ferida” e, como era de esperar, já começaram as reacções tendentes a menosprezar esta iniciativa: ou porque as reuniões magnas dos partidos de esquerda já decidiram sobre esta matéria, ou porque os candidatos já estão no terreno, ou porque o tratamento jornalístico da iniciativa não foi o melhor (como se isso dependesse da RC!), ou porque…blá, blá, blá!
E, a menos que os resultados eleitorais obtidos pelos partidos de esquerda nas próximas eleições europeias fiquem aquém das suas expectativas e os façam alterar esta postura, tudo vai servir de pretexto para se evitar discutir sequer a mera possibilidade de se concretizar uma “coligação de esquerda” em Lisboa.
Mas há um “argumento” que está a fazer caminho e que importa “desmontar” desde já. Dizem-nos: a questão não é com quem fazer “coligações” mas sim, que programa e que políticas de esquerda uma eventual “coligação de esquerda” que incluísse o PS, implementaria.
Ora, em minha opinião, a questão coloca-se exactamente ao contrário, ou seja: só depois de se saber da disponibilidade de todas as forças políticas de esquerda (que, para derrotar a direita tem obrigatoriamente de incluir o PS) para concretizarem uma “coligação de esquerda”, é que é possível partir para a discussão do programa e das políticas de esquerda e ver se, sim ou não, é possível encontrar uma plataforma política em que todos se revejam. Isto parece-me elementar.

4 – Seja como for, independentemente de se concretizar ou não o objectivo do APELO, os resultados já conseguidos e a adesão de destacadas personalidades do PS (a propósito, qual é a posição de Manuel Alegre?) mostram que a nossa (pouca) força, quando utilizada de forma correcta e inteligente, pode ser um importante contributo para um “virar de página” no relacionamento entre todas as forças de esquerda, condição não suficiente, mas absolutamente necessária para se concretizar qualquer entendimento ou convergência de esquerda.
O APELO servirá também para ver quem, de facto, quer o entendimento e a convergência das esquerdas, e quem apenas manifesta esse desejo na sua retórica política para mais facilmente implementar as suas estratégias politicas pessoais ou partidárias.

5 – Com este APELO a RC deu também uma machadada na “tese” de que não é possível qualquer entendimento ou convergência com “este PS”.
Devemos no entanto estar conscientes de que se trata ainda de um pequeno passo num caminho que sabemos muito estreito, íngreme e cheio de dificuldades, mas que devemos percorrer, tendo já em vista as próximas eleições legislativas.
Esta iniciativa (até pelo atraso com que foi lançada) pode não dar já os seus frutos, mas não tenhamos dúvidas de que foram lançadas as sementes que, mais tarde ou mais cedo, acabarão por germinar.


Um abraço

Manuel Oliveira

Porto, 10 de Abril de 2009


 

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