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28 DE JULHO DE 2009, TERÇA FEIRA
Comunicação de Carlos Brito
Linhas de Mudança
O nosso camarada Carlos Brito, impossibilitado de estar presente no lançamento do livro Linhas de Mudança - Debate para a Alternativa, apresentado no dia 27 deste mês, pela Renovação Comunista, enviou uma comunicação que foi lida pelo renovador Cipriano Justo. Leia aqui a referida comunicação.
Caros amigos e camaradas


Não podendo está presente por inultrapassáveis razões pessoais, não quero deixar de me associar à apresentação pública das «Linhas de Mudança», acto que culmina um processo de reflexão interna da Renovação Comunista, depois ampliada e muito enriquecida no diálogo com amigos convidados que se dispuseram a participar no diversos paneis temáticos.
Começo por dizer que me regozijo com o trabalho apresentado: a Renovação Comunista tem a coragem de dizer o que pensa como resposta para alguns dos maiores e mais urgentes problemas nacionais. Não se limita a contestar as fracassadas políticas governamentais que têm sido seguidas, nem a dizer não ao projecto radical de direita que é avançado como pretensa alternativa, adianta de cara descoberta o que sustenta para a economia, as finanças, a situação social e os problemas dos trabalhadores, a saúde, a reforma do Estado, a política externa e a integração europeia. Em breve o fará também em relação à cultura e algumas das grandes inquietações que agitam a sociedade dos nossos dias.
Partimos do princípio dialéctico de que o é e o deve ser andam interligados e que só este modo de proceder confere alcance ao protesto e o projecta como combate pelo futuro. Entendemos, também que esta é a forma mais profunda de combater a subordinação aos grandes interesses praticada pela maioria absoluta que nos governou nos últimos quatro anos e de fazer frente ao ambicioso projecto da direita de hegemonizar todos os órgãos do poder político, apregoando como última verdade, o que não é outra coisa senão mais neo-liberalismo na política económica e social e neo-consevantismo revanchista na cultura, na política do Estado e da sociedade.
Parece importante dizer que as boas políticas alternativas mesmo não sendo acompanhadas de uma alternativa política de governação terão sempre influência na agenda e no debate, tanto maior quanto melhores forem e, em qualquer caso, ficam como bandeiras dos combates que vão seguir-se.
Mas eu julgo que queremos mais do que isso. Queremos que sejam acompanhadas de uma alternativa política credível e mobilizadora.
Ao longo dos últimos quatro anos, ao mesmo tempo que se confirmavam os riscos das maiorias absolutas monopartidárias, com a tendência para a arrogância, o autoritarismo, a pouca consideração pelo protesto popular e a crítica das oposições, foi-se produzindo uma alteração da correlação de forças no campo da esquerda e do centro esquerda, com um significativo aumento do peso e da influência dos partidos e grupos à esquerda do PS, em termos nunca antes verificados ao longo dos trinta e quatro anos que levamos de democracia institucionalizada.
Parece-me que esta novidade não pode deixar de ser explorada nas imensas potencialidades que comporta em termos de soluções de governação ou pelo menos de acordos de incidência parlamentar.
O que parecia impossível nos tempos da maioria absoluta do PS, e para trás, para trás, pode ser possível na nova situação e sobretudo não pode deixar de ser tentado, quando entre o centro esquerda e a esquerda a relação de forças se equilibrou e não só do ponto de vista quantitativo, mas qualitativo também. Se calhar, como escrevia há dias Manuel Alegre «tal só será possível com uma ruptura de cada uma das esquerdas consigo mesma». A mim parece-me que, de qualquer maneira, o caminho passa por esta fresta de possibilidade, mas é um caminho reversível, ou se aproveita agora ou pode perder-se por muito tempo. Por isso os esforços urgem.
Admito que esta perspectiva seja uma ingenuidade de quem está um pouco afastado da política activa. Para mim, contudo, é um rasgo de luz no horizonte muito sombrio que cerca o nosso país dilacerado por múltiplas crises e onde germina a mais perigosa de todas – a da perda de confiança nas instituições.
Acho que a esquerda não pode fugir ao desafio que lhes está lançado.

Carlos Brito
27.07.09


 

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