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22 DE AGOSTO DE 2009, SÁBADO
Jantar de Confrasternização e Balanço da Renovação Comunista em Alcoutim
Os Trabalhos da Renovação Comunista
Com a presença de Carlos Brito realizou-se mais um jantar de confraternização da Renovação Comunista organizado pelos camaradas do Algarve. Foi o pretexto para uma avaliação de balanço e perspectivas aqui ilustrado pela intervenção de Paulo Fidalgo.
A nossa Associação continua a mexer. Essa é a grande nota de saudação que podemos dizer em mais um jantar de verão em Alcoutim, na presença amiga dos nossos anfitriões algarvios. A verdade é que uma entidade que mexe e dá mostras de vida é por que tem algo, se calhar, para dizer e transmitir com valor no campo das ideias e alinhamentos da luta política!

A nossa missão está estabelecida com clareza nos estatutos e no programa de acção dos seus órgãos sociais: promover o debate de ideias, aprofundar a reflexão marxista sobre programas e propostas, interagir com as correntes não marxistas e, sempre que ajuizado como conveniente, participar na acção política.

Neste ano, a RC adquiriu importante visibilidade, porém não por via de um qualquer truque publicitário. Colaboradores nossos conseguiram dar à estampa contribuições no campo do marxismo mais fundamental que representam uma inovação editorial no debate de ideias à esquerda relativamente raro no país. Conseguimos dar corpo a um conjunto de propostas programáticas, as “Linhas da Mudança”, de alcançe notório e fizémo-lo com a dinamização de auscultações com personalidades não comunistas que aceitaram debater connosco ideias e caminhos novos para a esquerda.

Registou-se a presença de artigos de opinião em diários de grande circulação e foi até possível intervir em canais de TV de grande audiência.

Os nosso detractores bem podem dizer que estas manifestações são o fruto de um acolhimento preferencial nos órgãos de comunicação social burgueses, mas a verdade é que essas intervenções foram sempre no sentido de afirmar um ponto de vista comunista e progressista para que o país compreenda como é possível hoje a esquerda apresentar propostas válidas e que, se ganharem o apoio suficiente, poderão alterar positivamente o panorama político no sentido de uma sociedade mais avançada e solidária.

Para os comunistas a intervenção pública no terreno da comunicação social é sem dúvida uma tarefa da mais alta importância na luta de ideias que faz evoluir a consciência política dos portugueses. Creio que a nossa Associação e os nossos membros ajudaram sem dúvida a esses objectivos.

A nossa Associação desempenhou ainda uma prolixa e profícua actividade de bons ofícios em diversos sectores da esquerda, inclusive em contactos com figuras de relevo do Partido Socialista, onde se procurou dar ênfase á possibilidade de encetar uma reconfiguração política que permitisse disputar o presente ciclo eleitoral nas melhores condições possíveis para a esquerda. Estivémos no processo de convergência sem dúvida importante e com sementes para o futuro que se estabeleceu na iniciativa da Trindade e da Aula Magna.

Estivemos bem no centro dos problemas da constituição de uma maioria ou solução viável à esquerda para a vereação da Câmara Municipal de Lisboa. Creio que ajudámos o melhor que pudémos a criar condições para que a CML saísse da falência financeira e para que se desse uma aproximação das forças de esquerda na capital.

Procurámos nestes últimos meses influenciar, inclusive com acções unitárias de grande visbilidade, para que pudesse ter vida um processo de convergência unitária pré-eleitoral na cidade. Foi uma evidência que a nossa acção procurou ajudar o espaço de governabilidade à esquerda na cidade, iniciado de forma titubeante nas eleições intercalares, agora com mais força e premência, não só para que uma cidade nova possa ser construída mas para que, de todo, sejam blindadas as portas contra um qualquer regresso da irresponsabilidade santanista, sem dúvida à espreita por entre as desavenças da esquerda.

As nossas iniciativas não surtiram em muitos casos um sucesso imediato. Porém, é legítimo reafirmar um ponto de vista clássico que nos ensina que as batalhas são para ser travadas quando a história nos coloca a responsabilidade de intervir, independentemente da vitória poder não estar, no imediato, garantida. A acção política transformadora faz-se com as apostas pertinentes em cada conjuntura e não é a dificuldade do empreendimento que nos deve inibir de ir à luta. Sem essa firmeza, nada nunca poderá ser mudado. E nós, na nossa Associação, estamos geneticamente orientados para induzir mudanças no país, nas ideias e, também, no seio da esquerda.

É bom não esquecer que o campo comunista se dinamizou de algum modo, mesmo fora do espaço organizado da Renovação Comunista, com mais camaradas a intervir publicamente e ajudando à sua maneira a desbravar o caminho da convergência e da alternativa.

Depois de tantos anos, o campo comunista, marcado que tem estado pela diferença de visões com origem nos funestos resultados do XVI Congresso do PCP, insiste em forçar o debate de ideias, de programa e de táctica política que contraria quem julgava que a coisa se arrumava numa penada, de demissões, e transferências de campo.

Não, camaradas, o campo comunista, para se poder afirmar na sua vocação chave de impulsionar a transformação da sociedade precisa como pão para a boca do trabalho que a nossa Associação procura fazer e que felizmente tantos outros camaradas, mesmo não envolvidos na Associação, também ajudam a fazer.

É pelo contrário do lado da direcção do PCP, do seu sectarismo e estreiteza que se notam os problemas de linha e condução política, no que é a gestação de uma crise cada vez mais difícil de ocultar. É este PCP que não consegue enquadrar ou dar espaço de convívio a muitos quadros desejosos de mudança de métodos e de mudança política. Nas autarquias e até ao nível parlamentar, o PCP não evita afloramentos de crise. Por outro lado, é visível o recuo da organização do PCP em sectores vitais para o alicerçe social de que a transformação social carece como é o caso de sindicatos e organizações de trabalhadores, onde as listas sectárias dinamizadas a partir da Soeiro foram penalizadas. Apesar de esses resultados serem preocupantes quando analisamos o desempenho do movimento comunista, não deixam de algum modo de ir ao encontro das prevenções que muitos camaradas tinham assinalado.

Mas enchem-nos de preocupação na medida que atrás do recuo de organizações enquadradas no PCP há sempre o risco, felizmente em muitos casos contrariado pela acção de muitos outros camaradas, há sempre o risco dizia de recuar a influência comunista tão necessária que é para montar as condições para uma viragem política.

O país e o movimento dos trabalhadores precisam de mais e não de menos comunistas e é portanto com inquietação que assistimos aos resultados nefastos de uma linha política errada para a nossa causa, cristalizada em reflexos de uma cultura estalinizante que subsiste na actuação de muitos responsáveis do PCP. Penso que é justo dizer que enquanto persistirem tais estigmas estará justificada a acção e objectivos da nossa Associação.

Camaradas, estamos á beira de encerrar um importante ciclo político no país, marcado por lutas de grande relevo no plano social e político para que as inclinações direitistas do Partido Socialista sejam feitas recuar pela penalização eleitoral. O partido Socialista oficial julgava que tinha o terreno desbravado para fazer um governo com a sua ala direita cavalgando a maioria de esquerda que se formou na Assembleia da República. É visível que essa utopia de governar ao arrepio dos muitos que, no PS e á sua esquerda, ambicionam outra política, poderá estar a chegar ao fim. Se nas próximas eleições legislativas for possível alterar a correlação de forças no seio da esquerda e ainda assim manter-se uma aritmética de maioria de deputados no conjunto do PS e da restante esquerda, isso será uma vitória de largo alcançe que compensa a luta e abenegação nos mais diversificados sectores da vida nacional.

É verdade que a direita espreita por entre o ambiente deveras difícil que subsiste entre as forças de esquerda, de todas elas, e no seu interior também. É uma evidência que as eleições serão disputadas com muitas fracturas e bloqueios na esquerda, entre correntes do PS e a respectiva direcção, entre o PS e as forças à sua esquerda, entre o PCP e o BE. Mas se é verdade que a direita poderá ter a esperança de aproveitar um tal clima, também é verdade que a direita não consegue aparentemente descolar, não consegue convencer com as suas receitas neoliberais sobretudo agora que o neo-liberalismo fracassou em toda a linha. Não é certamente com a campanha trauliteira do CDS, que aliás aspira a ser parte de uma saída de governo que os portugueses se deixarão levar, estamos certos, pela inacreditável campanha que visa tão-só fazer crer que a culpa dos males sociais e da pobreza é antes de tudo dos trabalhadores e dos pobres. Que outro sentido terão os inacreditáveis cartazes do CDS quando nos vem dizer que são os pobres, os desempregados, os supostos responsáveis pela sua situação porque serão perguiçosos e não querem trabalhar? É uma provocação que estamos certos não passará.

A batalha que estamos a disputar é no sentido de que haja mais esquerda e não menos. Estamos certos de que, apesar das dificuldades isso será um resultado que iremos comemorar a 27 de Setembro.

Porém, as exigências de clarividência política para a nossa Associação vão aumentar e não diminuir. A etapa que hoje está em causa é a de obter uma reorientação de políticas que permita ao país lidar com a emergência social mas igualmente abrir caminho para soluções novas, de pendor alternativo na esfera económica. Esse movimento e esse bascular da correlação de forças pode não ter ressonância súbita e apenas percorrer passos de aparente pequena monta. Mas quem se atreve a desvalorizar ganhos na economia pública? Quem, na presente situação, achará que novas formas de remunerar os trabalhadores ou dar azo a que o sector público se reforme e dinamize serão de menos valia quando a estagnação do capitalismo subsiste e impede o povo de resolver os seus problemas? Por muito complexos e difíceis os passos de reforma, por discretos ou pouco estrondosos que sejam, é responsabilidade dos comunistas estar na primeira linha do seu impulsionamento e dinamização.

Para além disso, findo o presente ciclo eleitoral, é tempo da nossa Associação dar azo à renovação das suas estruturas directivas, proceder a eleições e impulsionar a frente organizativa. Esse é um trabalho inadiável, feito em simultãneo com as solicitações prementes da acção. Mas nada melhor do que renovar enquanto se luta e avança, pois é nesta atmosfera que novas colaborações poderão ser atraídas e mais comunistas se juntem à nossa missão. Vamos pois camaradas trabalhar para dinamizar mais a nossa Associação e projectar o seu trabalho ainda mais.







 

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