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19 DE MAIO DE 2010, QUARTA-FEIRA
FONTE: DN
POR: João Céu
DN dá voz à publicação do livro de Carlos Brito
É o livro mais inesperado sobre o mítico secretário-geral do Partido Comunista
Cinco anos após a morte de Álvaro Cunhal está feito o luto de Carlos Brito, um dos ex-comunistas do núcleo duro do histórico secretário-geral do PCP, e chega a hora de publicar as suas memórias sobre uma relação muito duradoura e íntima no período pós-25 de Abril, que acabou com a deserção do autor de um partido em que já não se revia na prática da ideologia .
O título Álvaro Cunhal - Sete Fôlegos do Combatente apenas arranha o conteúdo de umas memórias que poderão provocar uma radical revisão da imagem do líder comunista que se mantém fixada pela história. A leitura do livro mostra um Carlos Brito muito distante da linguagem dos comunicados habitualmente ortodoxos e herméticos no PCP, que surpreenderá os leitores pelo fôlego narra-tivo e, também, pela óptima memória de factos - registados ao longo dos tempos - e acontecimentos em que participou ao lado de Álvaro Cunhal, até ter sido um dos últimos membros do Comité Central a romper com o aparelho.

Este Sete Fôlegos irá, pela certa, refazer os tons em que ficou o retrato para a posteridade de Álvaro Cunhal. Ao longo de centenas de páginas, Carlos Brito imprime as memórias de uma relação com o "camarada Álvaro", numa tentativa de mostrar os "lados importantes e mais positivos" do dirigente que são desconhecidos mas, também, os "menos importantes e menos positivos" e até os "mais negativos".

O livro representa, assumidamente, uma visão pessoal de um dirigente sobre um outro dirigente. Carlos Brito pretende mostrar uma intimidade até agora desconhecida de Cunhal e - não tem dúvida - que irá surpreender os que julgavam conhecer em definitivo a personalidade do líder. Pode-se afirmar que Carlos Brito vai mostrar Cunhal para além do Álvaro que a militância comunista conhece, os opositores descrevem, os estudiosos, historiadores e comentadores formulam.

Questionado sobre a razão de publicar as suas memórias neste momento, Carlos Brito nega a intenção de realizar qualquer ajuste de contas com aquele que foi di- rigente dos comunistas durante mais de sete décadas: "Foi difícil escrever este livro porque, apesar de ter muito trabalho de pesquisa realizado sobre Álvaro Cunhal, necessitava de adquirir algum distanciamento."

Brito não recusa a influência na sua opinião e registo memorialista do "curto mas conturbado período" em que os dois políticos do PCP se desentenderam mas, confessa, que "procurou manter a objectividade tanto no elogio como na crítica".

Quanto a estar suficientemente distanciado desse curto período de turbulência na relação, Carlos Brito é directo: "Sim, ou não iria publicar estas memórias."

Ao perguntar-se se o livro vai surpreender, essa é uma dúvida que não lhe passa pelo pensamento: "Naturalmente que o facto de ser eu a escrever sobre Álvaro Cunhal, com quem estive na luta partidária em momentos cruciais, é uma garantia de que os leitores não vão ficar desiludidos."

A mesma opinião tem o editor Nelson de Matos, que é responsável pela publicação destas memórias de Carlos Brito sobre Álvaro Cunhal. Ao DN confirmou a sua surpresa perante o conjunto de informações apresentadas no livro e pelo à-vontade e qualidade do relato do autor. O responsável pela editora anuncia que o livro estará à venda na última semana de Maio e que, nesse momento, os leitores poderão fazer o seu julgamento.

Para Carlos Brito, este volume não é decididamente uma apologia a Álvaro Cunhal: "É o meu ponto de vista." Acrescenta que não desmerece o líder comunista: "É uma homenagem à sua memória."

Resta agora saber como serão apreciadas estas memórias que têm tudo para ser mais que polémicas.


 

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