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30 DE MAIO DE 2010, DOMINGO
FONTE: www.comunistas.info
POR: PF
A Grande Manifestação da CGTP
Foi de grande pujança a manifestação da CGTP. Isso são óptimas notícias para aumentar o peso do movimento dos trabalhadores na criação de condições para uma viragem política no país.
Desta vez a multidão era absolutamente compacta a desfilar. Fala-se mesmo em 300000 o número dos participantes um resultado absolutamente notável. Na aparência, o sentido das palavras de ordem era largamente negativo, contra o PEC, contra as medidas de austeridade e o desemprego. Ouvindo porém o discurso do secretário-geral Manuel Carvalho da Silva não se pode deixar de notar um sentido muito mais focado na linha daquilo que os clássicos chamaram a economia política da classe trabalhadora. Isto é, não pode deixar de se notar o sentido das medidas alternativas reclamadas, medidas que permitam um processo de decisão económica no sentido de um novo interesse e propósito, em contraponto ao processo que hoje condiciona a decisão no poder político, onde se sente a marca dos interesses dos grupos de pressão dos círculos dominantes.

Carvalho da Silva convocou para a grande praça pública o encadeamento entre o processo português, o italiano, o espanhol, o françês, o romeno e o grego e com isso situou num plano internacionalista toda a mecânica da crise e da frente social que a pode superar. Mais demonstrou como é pernicioso o papel do Presidente da República na geração de condições para que as saídas para a presente situação se desenvolvam num propósito de conservação do status quo social e económico, como se a crise pudesse ser superada sem enfrentar as suas causas estruturais as quais se ancoram visivelmente no sistema capitalista e no evolucionismo pró-financeiro, especulativo, que sofreu nos últimos anos. Ao fazê-lo, Carvalho da Silva convocou para o centro da acção dos trabalhadores a importância da batalha eleitoral das presidenciais onde lhes deve caber um papel fulcral na construção de uma viragem na correlação de forças nos órgãos do Estado.

É talvez mais inovador no discurso sindical a focagem nas medidas de regulamentação financeira que se exigem para conter e contrariar a navegação global irrestrita do capital que a globalização capitalista fomentou. Um revolucionário de pendor anti-reformista poderá dizer que a entrada do movimento popular nas tecnicidades das operações da bolsa e dos fundos venenosos especulativos é jogar um jogo reformista quando o que se trata é de preparar as consciências para o próprio derrube do capitalismo. Porém, o dito derrube e superação só poderão acontecer enquanto processo onde a vitória de um ponto de vista de economia política popular se afirme e construa. É portanto na derrota das oposições do capital às pertinentes e prementes medidas de regulação que se constroi a frente social e política que acabará por gerar as condições para uma economia alternativa. No discurso de Carvalho da Silva está presente a oposição aos financiamentos sem condições políticas de reconversão para os bancos falidos. A verdade é que as dificuldades da serviço à dívida soberana dos países são sempre acompanhadas de exigências de política económica daqueles que surgem a refinanciar as ditas dívidas. Porém, quando um banco ou uma empresa privados, como a Lehman Brothers ou o BPN ou outros são financiados, ninguém lhes impõe condições de reconversão social do seu objecto e missão. E isto é obviamente inaceitável para os trabalhadores e os seus legítimos interesses económicos.

Também se ouviu a reclamação do fim dos off-shores, o refúgio de toda a plétora de fundos e produtos financeiros venenosos que atiram os povos para a crise e a miséria. Reclamação essa acolhida nas palavras de instituições internacionais e dos governos mas adiada e não aplicada. É verdadeiramente escandaloso que a União Europeia continue a congelar passos efectivos nesta direcção. E Carvalho da Silva denunciou que estão hoje em off-shore 115 mil milhões de euros de dinheiro português. Carvalho da Silva não chegou a dizê-lo mas podemos nós aqui lembrar que se é verdade que os fundos estão em off-shore, a sua acção e efeitos nefastos acontecem in-shore, cabendo portanto aos Estados e à UE aprovar a moldura regulatória que os condicione e impeça a sua acção venenosa. Isto quer dizer que tem de haver regulação do sistema financeiro e medidas radicais para a sua reconversão. Foi também colocada ênfase na tributação das mais valias em bolsa e uma justiça fiscal efectiva.

A grande manifestação da CGTP é um marco da luta social e política na medida em que ajuda a ganhar as ruas com ideias mais focadas para uma política alternativa e obter concessões concretas no imediato. Os tempos são apesar de tudo favoráveis ao avanço popular e são ao mesmo tempo adversos aos agentes do capital que visivelmente não conseguem encontrar as vias para retomar as rédias que faça a economia sair da crise e agem com desorientação.


 

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