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14 DE JANEIRO DE 2011, SEXTA FEIRA
Intervenção de Carlos Brito (*)
Eleger Manuel Alegre para assegurar o melhor do que temos e enfrentar com ousadia e inovação o desenvolvimento futuro do país.
A meu ver, as presidenciais do próximo dia 23 de Janeiro são cruciais para Portugal. Tenho a convicção de que a melhor resposta que o nosso país pode dar à crise que nos avassala é operar uma profunda mudança no topo do nosso sistema institucional.
Isto significa fazer eleger Manuel Alegre Presidente da República.
Digo-o seguro de que não estou a cair numa manifestação de entusiasmo sectário e inconsistente.
Nada disso. Trata-se duma convicção reflectida, assente em razões do nosso processo interno e nas relações do nosso país com a comunidade europeia e com o mundo.
Em primeiro lugar, é necessário levantar o ânimo do nosso povo tão deprimido pelos sucessivos pacotes de austeridade e pela incessante campanha dos «gatos pingados» da direita que pressagiam a morte próxima do país se não lhes for dado o poder todo.
Quem melhor que Alegre que já interpretou a «Voz da Liberdade», que é co-autor do promissor preâmbulo da Constituição da República, que nunca hesitou, mesmo enfrentando incompreensões, censuras e inimizades, em defender o regime democrático-constitucional, na sua complexa riqueza, para ser o grande intérprete desta urgentíssima cruzada?
Em segundo lugar, quem melhor que Alegre, que centrou a sua campanha na defesa do Estado Social, para o defender das arremetidas da austeridade que com este Governo, e ainda muito prior com um Governo de Passos Coelho, contra ele prosseguirão ou serão objecto de uma nova escalada?
O caminho mais fácil da austeridade, a par do corte de salários e pensões, é emagrecer o Serviço Nacional de Saúde, empobrecer a Segurança Social, definhar a escola pública, enfraquecer os direitos dos trabalhadores.
É contra isto que precisamos de ter em Belém alguém que, como Manuel Alegre, seja capaz de resistir, seja capaz de dizer não.
Não passarão!
Não passarão levianas tentativas de destruição de conquistas históricas e civilizacionais do nosso povo, onde assenta o melhor nosso presente e sobre as quais se deve construir o nosso futuro!
É com isto que se pode contar, com Manuel Alegre na Presidência. Numa palavra: Assegurar o melhor do que temos e apontar com ousadia e inovação os caminhos do desenvolvimento futuro do país!
E com Cavaco, o que podemos esperar?
A prova está mais que feita. Ele é um dos grandes responsáveis da desgraçada situação a que chegámos. Foi ele o criador do «monstro» do endividamento. Está completamente comprometido com a crise e com as políticas neoliberais que lhe deram origem. Os seus apelos significam não indignação e inconformismo, mas equivalem a um «tenham paciência», como antigamente se dizia aos pobrezinhos.
Ao declarar, há meses, que o País estava numa situação insustentável, Cavaco abriu as portas e justificou as medidas de austeridade mais cegas.
Em relação ao Estado Social, confunde voluntariamente para enganar os eleitores, as obrigações sociais do Estado definidas na Constituição, com as instituições de caridade e solidariedade social, que sendo de todo respeitáveis e meritórias, são outra coisa. As primeiras estão expressas na Constituição da República, como Serviço Nacional de Saúde, Segurança Social Pública, Escola Pública. Cavaco não usa estas designações, que correspondem a um conteúdo social muito concreto, mas usa a linguagem do projecto de Revisão Constitucional de Passos Coelho, que tem em vista liquidar estas conquistas.
Relativamente às pressões ultrajantes que são exercidas sobre o nosso país pela agiotagem internacional, o FMI e certas instâncias da União Europeia, Cavaco pratica e prega a atitude de submissão e obediência, ilustrada pelas metáforas do «bom aluno», do «menino bem comportado», do «não fazer ondas», que já seguiu quando foi primeiro-ministro, que demonstrou quando foi humilhado pelo Presidente da República Checa, e que prossegue
quando reprova que se proteste contra a ganância dos «mercados». Está de tal maneira, condicionado pela lógica do capitalismo especulativo, que não vê outra alternativa senão curvar a cerviz diante dos donos do dinheiro.
É esta outra razão fundamental por que é preciso eleger Manuel Alegre para a Presidência da República!
Na situação de crise nacional e internacional que estamos a viver, mais ainda que noutras alturas, precisamos de ter em Belém alguém que seja capaz de fazer frente, resistir e dizer não a quaisquer pressões ou manifestações afrontosas da soberania nacional, a quaisquer campanhas ofensivas da dignidade e dos interesses do nosso povo e do nosso pais.
Não se trata de uma atitude quixotesca, mas de advogar com firmeza e com justiça as nossas razões, juntando-nos aos outros que são igualmente ofendidos e espoliados como nós e apelar à solidariedade dos nossos verdadeiros amigos e sinceros aliados.
Não temos dúvidas que é isto que Manuel Alegre será capaz de fazer!

À medida que se vê acossado pela crítica dos outros candidatos, Cavaco Silva refugia-se numa resposta evasiva – «os portugueses conhecem-me bem».
Eu diria que o vão conhecendo cada vez melhor, ó se vão!
E depois das «escutas» e outras picardias do seu mandato presidencial, o que já se disse e veio a público na pré-campanha eleitoral tem ajudado bastante.

Caros amigos

Eu pergunto: pode-se perdoar a Cavaco Silva não ter encontrado um momento para estar pessoalmente presente nas cerimónias fúnebres de José Saramago, que é justamente considerado como um dos expoentes da nossa cultura, ao lado de Camões e de Fernando Pessoa?
A minha resposta é que não podemos. Nesse dia Cavaco pôs os seus rancores e preconceitos ideológicos e pessoais acima das suas obrigações de Presidente da República de Portugal. Foi a nossa vergonha!
O que a história registará, como uma inqualificável ofensa à cultura que não deixa de atingir o nosso país, é que nos funerais do grande escritor o chefe de Estado de Portugal pura e simplesmente se baldou.
Já referi vários outros aspectos que muito contribuíram para o ficarmos a conhecer melhor, muito melhor.
Só um exemplo mais.
Ao recusar responder aos pedidos esclarecimento que lhe têm sido dirigidos por outros candidatos e pela comunicação social sobre o lado obscuro do negócio da venda das suas acções da Sociedade Lusa de Negócios, proprietária do Banco Português de Negócios (BPN)), Cavaco Silva mostra uma arrogância muito pouco compatível com o lugar de Presidente, a quem se exige ética republicana, absoluta transparência e rigoroso respeito pelo escrutínio democrático dos seus actos, por mais incómodo que seja. Mas a incompatibilidade entre a arrogância e o lugar de Presidente agrava-se quando o candidato passa da recusa de resposta ao ataque e ao insulto de quem o questiona, como Cavaco Silva tem feito.
Um presidente que adora o jogo dos tabus não dá nenhuma segurança a Portugal, não trás nenhum contributo para enfrentar a crise, é ele próprio um permanente factor de crise, como tem sido.
Por isso, repito como comecei.
A mudança de Presidente da República é a melhor demonstração que os portugueses podem dar ao mundo e a si próprios de são capazes de resolver soberanamente os seus problemas e dificuldades.
Esta mudança faz-se com Manuel Alegre!

Meus caros amigos

O período oficial da campanha eleitoral só começa no Domingo, há ainda muito por esclarecer e muita oportunidade de o fazer.
Manuel Alegre tem repetido que o seu objectivo, quanto aos resultados da eleição presidencial, é impor uma segunda volta a Cavaco Silva e derrotá-lo a seguir.
Há meses atrás este objectivo parecia quase impossível. Hoje já não é assim. Hoje é um objectivo plenamente realizável.
Está nas mãos do povo português consegui-lo!
Mas cabe não só ao candidato, mas também aos seus apoiantes um esforço mais para realizá-lo.
Vamos dar mais força à campanha, ao esclarecimento, à mobilização.
Vamos dissuadir a abstenção!
É preciso mudar! É possível ganhar!


Viva Manuel Alegre!
Viva Portugal!


(*) Sessão de apoio à candidatura de Manuel Alegre
Biblioteca António Vicente Campinas
Vila Real de Santo António
07.01.11


 

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