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15 DE JANEIRO DE 2011, SÁBADO
Cipriano Justo
Pedro, Paulo, Aníbal e o FMI
Nesta eleição presidencial os portugueses vão tomar uma decisão cuja importância irá ser particularmente relevante tanto no curto como no médio prazo.
Eleger um candidato que traz agarrado a ele toda a direita e com ela a submissão às aspirações dos mercados financeiros, entenda-se a ingerência do Fundo Monetário Internacional nos assuntos internos, acrescentando austeridade à austeridade, ou escolher o candidato que já manifestou publicamente a sua oposição ao recurso a uma organização que por onde passou deixou sempre um rasto de pobreza, exclusão social e dependência.

Só por distracção é que se pode imaginar que os responsáveis dos ditos mercados financeiros, aqueles que estão a acumular excedentes financeiros a uma velocidade vertiginosa, estão desatentos ao momento político português. O que terá variado para que no curto espaço de algumas semanas os juros da dívida portuguesa tivessem aumentado dois pontos percentuais e tivesse regressado a pressão sobre o governo para convidar o FMI a vir sentar-se à mesa do conselho de ministros? Não foram tomadas todas as medidas de austeridade exigidas pela Comissão Europeia, o défice público não se vai situar nos 7.3%, o governo não negociou com a direita o Orçamento de Estado para 2011? Tudo foi cumprido, excepto a certeza da eleição de Aníbal Cavaco Silva, sobretudo depois de ser tornado público a trapalhada do seu envolvimento numas acções negociadas com o seu ex-Secretário de Estado e patrão do BPN, agora a contas com a justiça, Oliveira e Costa.

Pedro Passos Coelho, em entrevista dada à TSF no passado dia 9 foi muito claro a este respeito. Retomando uma declaração de Aníbal Cavaco Silva defendeu que o recurso ao FMI representaria um falhanço deste governo, acrescentando que nessas circunstâncias iria exigir a realização de eleições e que no caso de vitória, mesmo com maioria absoluta, iria aliar-se ao seu parceiro da direita, o CDS. O líder do PSD não podia ser mais claro: a estratégia para chegar ao poder, além do descontentamento gerado pelas medidas tomadas pelo governo, exige a eleição do seu candidato e a pressão externa dos ideólogos do capital financeiro. Tudo somado, com uma direita hegemónica nos principais centros de decisão política estariam reunidas as condições para penalizar não só o governo e o PS pela actual situação mas toda a esquerda. E que melhor instrumento para atingir esse objectivo do que regressar ao espírito da tanga como argumento para oferecer ao FMI uma estada em Portugal?

É principalmente por esta razão, para que de uma vez por todas a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu tomem as decisões que devem ser tomadas, que Aníbal Cavaco Silva deve ser derrotado nesta eleição. Porque a sua derrota representa a derrota dos planos que o capital financeiro tem pensado para os portugueses.


 

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