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12 DE FEVEREIRO DE 2011, SÁBADO
Cipriano Justo
A direita na oposição não deixa de ser de direita
Ao eleger o seu candidato presidencial no dia 23 de Janeiro é legítimo afirmar-se que a direita consolidou a sua aspiração em substituir o actual governo no curto prazo. Tendo como pano de fundo a precária situação económico-financeira do país e as medidas de austeridade que entretanto foram sendo tomadas com o seu patrocínio, a direita fez uma pré-campanha eleitoral para a presidência da República toda ela virada para a catástrofe, o pânico e o medo.
Se dúvidas houvesse sobre a aversão ao risco dos eleitores, reforçada em contextos de adversidade das condições de vida, os resultados eleitorais aí estão para mostrar que também existe uma economia eleitoral em que a racionalidade das escolhas é grandemente influenciada pela incerteza e por uma narrativa ideológica dominada pelos apelos à resignação às condições impostas pelos mercados financeiros.

Embora seja previsível que não será o Presidente da República a dar a cara nesse processo de substituição, ele não deixará de ter a última palavra sobre a sua oportunidade e o modo como deve ser realizado o derrube do governo. São muitos os sinais que apontam para a discussão do Orçamento de Estado para 2012 como sendo o momento que a direita prefere eleger para argumentar sobre a necessidade de derrubar o governo e provocar eleições, considerando a inviabilidade de se articular um discurso defensor do Estado Social com um orçamento de continuidade da austeridade. Até lá, a perspectiva da direita é de acumular apoios, causas e razões que lhe permita ganhar as eleições e desfraldar a bandeira do anti-socratismo por muitos anos, os suficientes para se enraizar em todos os patamares do aparelho do Estado e aplicar o que falta aplicar do pacote de medidas preconizado pelo FMI.

Se se considerar que esta é, genericamente, a agenda da direita, qual é a da esquerda e do centro-esquerda? O que pode representar a apresentação de uma moção de censura por qualquer dos partidos da esquerda parlamentar? Uma inconsequente metáfora política? Desde logo, a queda do governo caso a direita entenda que agora ou lá para o fim do ano, tanto faz e mau grado os considerandos. Porém, o mais relevante da decisão seria existir, anexa à moção, uma alternativa à esquerda que em eleições faça frente à direita. A queda do governo lançaria o centro-esquerda para o isolamento, para uma situação partidária que o tornaria incapaz de uma disputa eleitoral que contribuísse para barrar o caminho à direita e romperia com a possibilidade, mesmo ténue, de um desenvolvimento da experiência da candidatura de Manuel Alegre. Mas mesmo que essa situação não se verifique, o anúncio e a concretização da apresentação de uma moção de censura nas actuais circunstâncias serão suficientes para congelar qualquer perspectiva de convergência da esquerda e do centro-esquerda, mesmo a prazo. Assim sendo, e partindo-se do princípio de que o indicador de eficácia de uma moção de censura é o derrube do governo a quem ela se dirige, principalmente nesta conjuntura, é convicção da esquerda parlamentar que é uma inevitabilidade o regresso da direita ao poder e por essa razão mais vale cedo do que tarde a substituição deste governo?

Nessa circunstância é de esperar que os resultados de 23 de Janeiro se repitam, agora sob a forma de tragédia. Para o que se avançou desde 25 de Abril de 1974.

Dirigente da Renovação Comunista


 
Derrube do Governo - Opção Esquerda/Centro-Esquerda/Direita
Enviado por António Gomes Marques, em 21-02-2011 às 14:07:37
Começo por declarar que sou militante do PS e membro da Corrente de Opinião Esquerda Socialista.
Embora pense que a política de direita já está no Governo, não deixo de pensar que o mal menor será ter um Governo PS do que um Governo PSD ou PSD/CDS.
Pergunto também: Manuel Alegre é de esquerda? Basta atentar no seu conceito de patriotismo para logo se concluir que não é. Por outro lado, Manuel Alegre é, na minha modesta opinião, o maior Narciso da política portuguesa, cujo único feito foi, há longos anos, impedir o derrube de Mário Soares como Secretário-Geral do PS (mesmo sem o discurso dele tal não seria conseguido). Manuel Alegre não tem qualquer obra significativa na política portuguesa e a sua última candidatura foi o melhor presente para o José Sócrates, muito mais interessado na vitória de Cavaco Silva, como assim já era na anterior candidatura de Mário Soares. JS viu-se livre de Mário Soares e família (não totalmente conseguido) e agora de Manuel Alegre, com o que o país, entidade mais importante, nada perdeu.
Do que nós necessitamos é de construir um PS fiel aos valores para que o seu programa aponta, o que só será possível com pessoas dispostas a dar a cara e não com cobardolas como António José Seguro ou mesmo António Costa, que estão à espera que o PS lhes caia nas mãos... para não fazerem muito diferente do que tem feito José Sócrates (digo isto com mágoa, sobretudo pelo António Costa).
A direita está à espera da discussão do orçamento para 2012, concordo, mas não esqueçamos que Cavaco Silva só estará de acordo se, entretanto, conseguir substituir Passos Coelho, razão por que este tem pressa na queda do Governo.
Muito mais há a dizer, mas o comentário já vai longo.

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