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13 DE FEVEREIRO DE 2011, DOMINGO
Nota introdutória à NewsLetter de Fevereiro de 2011
Presidenciais, Censura e Alternativa
Os acontecimentos precipitam-se no rescaldo das eleições presidenciais.
A reconstrução do espaço político à esquerda marcou passo ou retrocedeu com os fracos resultados do candidato progressista Manuel Alegre.
Mas ainda assim, conseguiu uma mão cheia de quase 800000 votos.
Votos de gente que aceitou o repto de colaboração entre eleitores de centro-esquerda e de esquerda. Esta convergência contém o potencial de gerar novas possibilidades de desbravar um caminho que reconstrua a prazo as condições de governabilidade à esquerda.
Caminho só possível na procura de uma saída fora dos cânones da ortodoxia económica com que o capitalismo procura sair da crise em posição hegemónica à custa de tremendos sacrifícios populares.
Essa promessa de reconstrução foi ainda assim entendida por uma parte não negligenciável do eleitorado, apesar da incerteza da aposta e da inexistência de diálogo mínimo sobre as condições de governação entre o PS e as forças à sua esquerda.
Na noite eleitoral, os comentadores da situação exorcizaram o embrião de entendimentos supostamente recusado pela derrota do candidato Manuel Alegre. António Vitorino foi dizendo como seria importante o PS não continuar nessa perigosa senda e Rui Rio usou expressamente a ideia de liquidar o tal embrião que pudesse revelar o potencial de a esquerda ser alguma vez parte de uma saída de governo.
A insistência em liquidar as hipóteses de experimentar o diálogo entre a esquerda e o centro-esquerda, acontece apesar de cada vez mais gente no PS compreender que a defesa de uma mais estreita colaboração entre a direita e o PS constitua o mais apressado caminho para derrota do PS, quer por via de eleições antecipadas, quer pela aposta pantanosa de uma reedição do bloco central onde as clientelas do PS e do PSD se abriguem de uma demasiada convulsão política.
Os defensores da situação foram logo de seguida complementados pelos reflexos daqueles que à esquerda também se incomodam com tais diálogos e aproximações, e lançaram em sequência a operação de censura ao governo. Para que ficasse claro que o caminho teria de ser o do afrontamento entre a esquerda e o centro-esquerda e se vincasse a pureza dos grandes princípios da esquerda e os respectivos territórios eleitorais.
Para os porta-estandarte da censura o que parece contar é a utopia de um pólo de contestação à esquerda que trabalhe para uma reversão do governo na quimera de uma forte aceleração do processo social em Portugal. Linha que os dispense de, no imediato, meter a mão nas dificílimas tarefas de tirar urgentemente o nosso País do declínio económico. Das duas uma, ou o poder vem parar às mãos de uma esquerda que não se compromete, ou então a esquerda faz uma espécie de greve às responsabilidades incontornáveis de reconstruir o espaço da esquerda para montar renovadas condições para a governação alternativa.
Há certamente muito bluff nesta linha demonstrativa das moções de censura, mas o que há acima de tudo é uma perigosa recaída na doença infantil de censurar para tentar defender-se eleitoralmente. Sem compreender que, em última análise, a esquerda se fortalece ou enfraquece consoante seja capaz de mostrar de forma credível como tem uma política para governar Portugal, mesmo nas mais difíceis e impopulares condições. E a doença infantil vai ao ponto de permitir a imagem de inaceitável competição entre o BE e o PCP na disputa dos respectivos territórios de influência.
A doença infantil censória da esquerda é muito perigosa porque pode fornecer todos os pretextos para separar o que começava a ser juntado e para dotar a direita socialista de mais fortes argumentos para hegemonizar o PS e as suas inclinações atávicas para entendimentos à direita.
O bluff da esquerda pode até salvar no imediato o governo do PS [e aquilo que são as suas criticáveis opções politicas] porque a direita não parece com ambição suficiente para derrubar o governo, no imediato. Corre o risco porém de o fazer com o reforço das perspectivas de entendimentos do PS com a direita. Afinal tudo aquilo que não convém aos interesses populares.
A alternativa da esquerda mais consequente é continuar a exigir a mudança de políticas, é procurar conjugar todas as alianças para fazê-las vingar nem que seja em planos sectoriais e ao mesmo tempo procurar os caminhos de reconstrução que permitam ao PS ser governo para viabilizar reformas, e à esquerda ser igualmente parte de compromissos, inclusive ao nível do governo, que furem a espessa barreira do situacionismo. Façamos com que as recaídas nihilistas não impeçam o longo e difícil caminho que leva Portugal à alternativa.
Face aos perigos, mas também à riqueza do momento que estamos a viver, decidimos publicar um número especial da Newsletter da Renovação Comunista para dinamizar o debate em torno dos resultados das presidenciais e as perspectivas de evolução politica a curto prazo.


 

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