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01 DE MARÇO DE 2011, TERÇA FEIRA
Cipriano Justo
O caso da Cacatua Verde que dançou La Carmagnole na noite de 13 de Julho de 1789
Dansons la Carmagnole/ vive le son, vive le son/ du canon. É com estas estrofes da Carmagnole (ver aqui), a famosa canção que exaltava a bravura dos sans cullote na Revolução Francesa, que se inicia a peça de Arthur Schnitzler, A Catatua Verde - taberna de má fama onde se fazia teatro de cordel enquanto a revolução punha termo aos dias do ancien régime.
Nela, qual Próspero da Tempestade de W. Shakeaspeare, Prospére, antigo promotor teatral mal sucedido, agora dado a servir copos de vinho e a acolher actores de fama duvidosa, dedica-se encenar cenas da vida parisiense para desfastio de uma aristocracia prestes a perder estatuto e privilégios.

Apesar da alusão, a única semelhança entre a Catatua Verde de Arthur Schnitzler e a Tempestade de W. Shakeaspeare é a circunstância de Próspero, enquanto duque de Milão, ter sido um mau governante e na qualidade de senhor da Ilha conseguir instaurar a sua moral, impor a sua vontade, exigir obediência e manipular os factos e a vida dos seus habitantes. Mas o que este texto de Schnitzler narra é a resolução do conflito entre classes sociais que se opõem mas que as circunstâncias da vida obrigam a conviver, logo que o 14 de Julho impõe a escolha de campo. Mesmo que haja sempre uma Séverine que se destaca para também gritar vive la liberté, quando chega a notícia da queda da Bastilha.

Luís Miguel Cintra reserva-nos duas surpresas já no fim da representação. Acrescenta uma citação de A Missão de Heine Muller, “a revolução é a máscara da morte/a morte é a máscara da revolução”, numa referência explícita ao terror que se segue a qualquer revolução violenta, e faz acompanhar a ovação dos espectadores ao som do Temps des cérises interpretado por uma banda rock, Noir Desir (ver aqui).

A Catatua Verde
de Arthur Schnitzler
Teatro D. Maria II
Encenação de Luís Migue Cintra
Interpretação de Luís Miguel Cintra, Ricardo Aibéo, Rita Blanco, João Grosso, Sofia Marques, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto e outros.


 

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