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10 DE JULHO DE 2011, DOMINGO
Nota editorial da NewsLetter de Julho de 2011
Jobs for the (Chicago) boys
A newsletter de Julho é publicada no rescaldo das eleições de 5 de Junho, com o governo PSD/CDS já em funções e a ir aos bolsos dos portugueses enquanto não se desvanece o doce aroma da vitória. Um conhecido apologista do programa da direita, Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, resumiu recentemente os argumentos que vão ser arremessados sempre que for ultrapassada a fronteira das medidas do memorando de entendimento: “é apenas consequência da incompetência e da mentira acumulada", leia-se do XVIII governo. Portanto, nada de novo sempre que um novo governo inicia funções – há sempre um conjunto de medidas inconvenientes que são mantidas ao abrigo dos ouvidos dos eleitores enquanto não estão assegurados os resultados eleitorais que as vão fazer desabrochar.
É crível que com tanta competência por metro quadrado do ministério das finanças enquanto se demoraram por cá os peritos do BCE/FMI/EU, não se deu pelo previsível défice de 7.7% nas contas públicas, com conhecimento de quem hoje dirige o governo? Eles sabiam, mas arriscavam a vitória eleitoral se divulgassem a suposta necessidade da retenção de 50% do subsídio de Natal. Sabiam sobretudo que o seu anúncio iria tornar-se o centro da campanha eleitoral e a razão de uma debandada, nem que fosse para a abstenção, de parte significativa do eleitorado.

Mas estamos só no início. O programa de privatizações e de liberalização dos preços de bens e serviços essenciais – água, luz, transportes, serviços de saúde, produtos alimentares – associado ao aumento do desemprego e dos impostos, só pode ter como consequência tornar uma sociedade desigual numa sociedade iníqua, promovendo a saída de milhares de trabalhadores para outros destinos. Daqui até Portugal se transformar no laboratório que no outro extremo da Europa meridional vai testar as teses da Escola de Chicago, vai um passo. E esse passo está na maneira como a União Europeia vai responder à conjuntura que se instalou em consequência do crash de 2008 e nas forças que a esquerda, os sindicatos e os movimentos sociais conseguirem reunir, articular e darem-lhe um sentido alternativo.


 

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