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26 DE SETEMBRO DE 2011, SEGUNDA FEIRA
Manuel Oliveira
O Preço das Coisas
Estará a ressurgir a pujança de outrora dos intelectuais marxistas ? O recente livro "O Preço das Coisas" escrito pelo nosso estimado Guilherme da Fonseca-Statter parece indiciar que sim. Ao escrever estas linhas, a minha intenção não é fazer uma critica deste livro. Outros, mais especializados na matéria, certamente se encarregarão de a fazer. O meu objectivo é outro, mais modesto, embora também importante: chamar a atenção para este livro tão necessário para a compreensão do funcionamento dos principais mecanismos da "economia global" e, de alguma forma, contribuir para que, no turbilhão de informação que todos os dias recebemos, ele não acabe por passar despercebido.
Ainda assim, gostaria de destacar três facetas deste livro que (acho eu) o tornam particularmente importante:

a) A sua oportunidade. Nunca como hoje os portugueses foram tão "bombardeados" com informação (e desinformação!) relativa às questões económicas e financeiras. Expressões como "deficit orçamental", "divida soberana", "paraísos fiscais",fundos de investimento", "bolha especulativa","mercados financeiros", "crise sistémica", etc, etc., passaram a fazer parte do cardápio informativo diário, e todas são utilizadas e manipuladas no combate politico-ideológico que se trava na sociedade portuguesa. É, pois, do interesse de todos os cidadãos conhecer estes termos, saber o que significam e perceber as suas conexões, de modo a ficarem melhor apetrechados para exercerem a sua actividade cívica e politica;

b) O seu estilo didáctico. Sem sacrificar "o rigor na substância", a preocupação em explicar matérias algo complexas de forma simples, bem como a utilização de "exemplos" e "citações" para melhor se compreender os raciocínios, permite que se "veja" com relativa facilidade a racionalidade da ideia exposta. Por outro lado, a sua "estrutura" coerente na arrumação dos temas e uma escrita escorreita, tornam a sua leitura leve e agradável. E, na medida em que põe em contacto o cidadão comum com temas que mexem com a sua vida quotidiana, bem podemos dizer que contribui para o aprofundamento da sua consciência politica;

c) O seu substrato ideológico. Do ponto de vista substantivo, o grande mérito deste livro é, a meu ver, o de "desnudar" os principais mecanismos de funcionamento do sistema capitalista, demonstrando que a "economia convencional" tresanda ideologia por todos os poros. Ao fazê-lo deita por terra as "teses" - elas próprias profundamente ideológicas! - que nos quiseram impingir de que, com a queda do Muro de Berlim também caíram as ideologias e se aproximava o "fim da história". É certo que tais "teses" conseguiram, num primeiro momento, amortecer a luta por uma sociedade progressista. Mas o tempo e, sobretudo, a crua realidade da Crise (que, uma vez mais está a ser paga pelos trabalhadores!) remetem-nos novamente para o cerne da questão: o poder politico e a ideologia.

Em jeito de conclusão: este é, sem dúvida, um livro de grande valor teórico e de uma grande utilidade prática. Obrigado, Guilherme, por ter colocado em nossas mãos tão preciosa ferramenta. Assim saibamos nós utilizá-la.


 

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