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07 DE MARÇO DE 2012, QUARTA-FEIRA
Cipriano Justo
Mortes a mais
Quem quiser fazer uma síntese do que é a questão social hoje em Portugal, pode resumi-la em três realidades: aos jovens espera-os o desemprego; aos pobres, uma sopa; aos pobres e idosos, morte antecipada.
Parafraseando um conhecido economista e filósofo do século XIX, até agora os matemáticos, os epidemiologistas e as autoridades de saúde têm-se limitado a explicar o excesso de mortes verificadas durante quatro semanas deste inverno, agora seria preciso evitá-las. Porém, quando a explicação não vai além da análise, está a omitir-se o que mais importa num problema, a resposta. Considerando tudo o que foi dito até agora pelas autoridades sobre o assunto, nenhuma explicação vai além do óbvio.

Enquanto se aguarda pelo que, dentro de alguns meses, o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge irá dizer sobre o excesso de mortalidade verificado naquele período de tempo, sabe-se que ela se verificou principalmente na população idosa, terá sido provocado pelo vírus da gripe H3N3, em condições climatéricas particularmente adversas. Se este é o contexto invariável, não se pode deduzir dele que estamos perante uma fatalidade, em que a acção humana não teria qualquer justificação ou eficácia. Pelo contrário. Desde logo sabe-se que o abaixamento anormal da temperatura representa, por si só, um risco acrescido para populações mais expostas. Se lhe acrescentarmos a situação de pobreza de largos segmentos da população idosa, temos uma combinação de condições que se potenciam entre si com as consequências conhecidas.

Apesar de se encontrar particularmente concentrado em cumprir as ordens que outros lhe impuseram, presume-se que não é desconhecido para o governo que o Instituto de Meteorologia faz previsões com pelo menos uma semana de antecedência. Quer isto dizer que antes de se instalar, sabia-se que uma vaga de frio ia atingir Portugal, e os efeitos previsíveis que lhe estavam associados. Houve, por isso, tempo suficiente para criar um plano de contingência que prevenisse e minimizasse os seus impactos sobre as populações socialmente mais vulneráveis. Desde logo as autarquias locais, a segurança social, os centros de saúde, as instituições de solidariedade social e as forças de segurança são os recursos locais mais aptos e disponíveis para responder a este tipo de situações. Se organizados têm competência e capacidade para lidar com este tipo de necessidades.

Nem se pode invocar o desconhecimento para o que aconteceu. No inverno de 2008/2009 as mesmas causas produziram os mesmos efeitos, excesso de mortes. Se passados três anos se verifica o mesmo cenário é porque não se aprendeu nada, sendo que neste caso a aprendizagem significa ir-se além da análise, organizando-se as respostas. Que não passa exclusivamente por uma melhor cobertura vacinal, mas inclui a identificação antecipada da população exposta e o accionamento das medidas que a proteja, prevenindo o risco de óbito. Exige-se, por isso, que o governo se pronuncie sobre este volume anormal e prevenível de mortes, e declare as medidas que tenciona tomar. Omitir a gravidade do que aconteceu ou esconder-se atrás do H3N3, da idade de quem morreu e das condições meteorológicas seria de uma irresponsabilidade política imperdoável.

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Fonte: http://www.insa.pt/sites/INSA/Portugues/Documents/Gripe2.pdf?cpp=1, slide 7

Dirigente da Renovação Comunista


 

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