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22 DE MARÇO DE 2012, QUINTA FEIRA
Cipriano Justo
A morte de Danton
A morte de Danton, um dos textos de teatro mais importantes do século XIX, foi escrita por Georg Buchner (1813-1837) aos vinte e dois anos. Irrepreensivelmente encenada por Jorge Silva Melo e com interpretações à altura da complexidade do texto, distinguindo-se Miguel Borges, João Meirelles e Sylvie Rocha, nos papeis de Danton, Camille Desmoulins e Marion Danton, esta viagem pelo interior da Revolução Francesa no momento em que se joga o seu destino é sobretudo uma reflexão sobre a humanidade dos actores políticos em situações extremas. Sabe-se como foi o fim: Danton e Desmoulins são mandados executar por Robespierre e Saint-Just em 5 de Abril de 1794, os quais são mandados executar por ordem da Convenção quatro meses depois, em 28 de Julho.
Para a história ficou o último discurso de Robespierre na Junta de Salvação Pública, no 8 do Thermidor – “Fui feito para combater o crime, não para o governar”.

Há distância de dois séculos não se coloca a necessidade de tomar partido, Danton e Desmoulins ou Robespierre e Saint-Just. É um exercício obsoleto e inútil. Juntamente com Marat e Camille Desmoulins, Danton começou por liderar o partido dos Cordeliers, de onde saíram os líderes dos sans-cullotes, dos artesãos, dos aprendizes e dos proletários. È nomeada ministro da Justiça em 1792 e na sequência da Comuna Revolucionária de Paris que toma o Hotel de Ville cria o Tribunal Revolucionário. A criação da Junta de Salvação Nacional, em 6 de Abril de 1793, juntam Danton e Robespierre, este do partido dos jacobinos que passam a controlar a Junta. Opondo-se a Robespierre, defende as reivindicações dos sans cullotes e apoia a criação de um exército revolucionário. Essa oposição vai-lhe valer a saída da Junta, criando o movimento dos Indulgentes e a ruptura com os jacobinos em finais de 1793, quando o jornal de Camille Desmoulins, Le Vieux Cordelier, se começa a distanciar também deles. Os Indulgentes passam a opor-se à violência anti-religiosa e desaconselham a execução de Maria Antonieta.

Se A morte de Danton é sobretudo uma narrativa sobre a avaliação que o dissidente faz da sua dissidência no momento em que vai ser julgado por ela, é simultaneamente um discurso sobre os limites da violência revolucionária. Quando a Convenção proclama, em Outubro de 1793, que o governo deve ser “revolucionário até á paz”, abre a porta ao arbítrio de quem vai decidir sobre o momento em que a paz é declarada. O processo dos Cordeliers, com a execução do seu líder, Hérbert, que entretanto tinha enveredado pela disseminação de ideias socialistas, e dos Indulgentes, é exemplar quanto aos caminhos que uma revolução toma quando os seus dias chegam ao fim. Finalmente, é a Convenção quem decide pelo momento em que a revolução tem os seus dias contados mandando executar Saint Just e Robespierre e abrindo caminho ao bonapartismo.


 

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