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13 DE MAIO DE 2012, DOMINGO
Cipriano Justo
Le changement, c’est maintenant?
Os resultados das eleições francesas, mais do que quaisquer outras que se realizaram em diversos países europeus no mesmo dia, colocam na agenda política a necessidade de se reavaliar seriamente a política de austeridade que tem sido seguida nos dois últimos anos.
Olhando à sua volta, conhecendo os desígnios de quem os governava, os franceses escolheram, preventivamente, e colocando nessa escolha uma considerável fracção de racionalidade, o caminho de quem lhes apresentou uma alternativa ao programa da direita, cuja receita é conhecida e está a dar os resultados já bem conhecidos: contracção das políticas sociais, estagnação do desenvolvimento económico e rendição aos mercados financeiros.

O significado da eleição do candidato da esquerda é, por isso, particularmente relevante na actual conjuntura, dado verificar-se num país com um considerável desafogo económico comparativo, revelando que os povos têm escolhas racionais desde que as propostas sejam aplicáveis e apresentadas por quem esteja disposto e em condições de as concretizar. Foi essa a avaliação que a maioria fez do candidato que elegeu – que rompia a aliança com a direita alemã e que tinha uma resposta para a chantagem dos mercados financeiros.

Se derrotar o candidato da direita era prioritário para que se desse um sinal de que a inversão das políticas de austeridade tinha um actor político, representado pelo conjunto de forças partidárias que tornaram possível o resultado de 6 de Maio, para que a vitória se materialize em resultados concretos e reconhecíveis pela população torna-se necessário que o centro-esquerda concretize a ruptura com as orientações que a tornou cúmplice da liquidação do estado social e, recentemente, do consenso de Berlim. Sem essa condição plenamente satisfeita os ganhos eleitorais agora alcançados, além de hipotecarem esta vitória, falham um objectivo estratégico: dar o exemplo aos restantes partidos de centro-esquerda europeus de que têm uma oportunidade de se constituírem como um parceiro confiável para a reconstrução europeia. Porque é esse o desafio do centro-esquerda e da esquerda nos próximos anos.

Ao apresentar-se com um candidato comum, a esquerda francesa, e nomeadamente os comunistas, mostrou que pode recuperar a sua base social de apoio desde que saiba interpretar os sinais de apelo à convergência que dominam os sentimentos do seu eleitorado e se apresente com um programa centrado no que é essencial, dando a perceber que, nas actuais circunstâncias, as intenções maximalistas correm o risco de se tornarem incompreensíveis, mesmo para os sectores mais avançados da sociedade. Mas esta estratégia teve um outro resultado, que deve ser interpretado como um efeito não menos importante desta inflexão táctica: conter, apesar da sua importante expressão eleitoral, um avanço ainda mais significativo da extrema-direita.

Qualquer que venha a ser a composição do governo, esta vitória do centro-esquerda e da esquerda mostrou que a convergência é possível, que essa possibilidade pode derrotar a direita e que uma alternativa pode fazer o seu caminho desde que o espírito de hegemonia dê lugar ao compromisso.


 

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