Comunistas.info
Comunistas.info
Comunistas.info
INSCRI«√ONEWSLETTERLINKSCONTACTOS.
QUEM SOMOS
ACTUALIDADE
05 DE JULHO DE 2012, QUINTA FEIRA
Carlos Brito
A austeridade está a matar o país a começar pelo interior
O Governo acaba de responder com um N√ÉO rotundo a duas das mais caras aspira√ß√Ķes das popula√ß√Ķes do concelho de Alcoutim e de todo o Baixo Guadiana: a ponte Alcoutim Sanl√ļcar e o prolongamento do IC 27 at√© Beja. A resposta do Governo, que foi dada a prop√≥sito de um requerimento de deputados do PCP, choca especialmente pela absoluta insensibilidade governamental em rela√ß√£o ao interior do pa√≠s, que se revela tanto na pretens√£o de querer arrumar a quest√£o para todo o sempre, como tamb√©m pelos argumentos usados.
Em rela√ß√£o √† ponte, o Governo classifica-a como ¬ęuma liga√ß√£o de interesse local¬Ľ e como tal ¬ęa sua constru√ß√£o e financiamento competir√° √°s autoridades locais¬Ľ, querendo assim imitar, de forma rid√≠cula, os espanh√≥is que dizem que no caso de Espanha a ponte competir√° √†s autoridades regionais da Andaluzia. S√≥ que esta √© uma poderosa Regi√£o com 87 mil quil√≥metros quadrados de superf√≠cie (quase o tamanho de Portugal) e 7 milh√Ķes de habitantes, enquanto o concelho de Alcoutim (a autoridade local, no caso) √© dos mais despovoados e pobres do pa√≠s. Ser√° a ele que o Governo quer entregar a constru√ß√£o e o financiamento de uma ponte internacional sobre um rio com mais de 200 metros de largura de √°gua?
Quanto ao prolongamento do IC 27, com projecto h√° muito tempo aprovado, o Governo limita-se a argumentar que a EN 122 entre Alcoutim e Beja ¬ęresponde √†s necessidades¬Ľ (v√™-se mesmo que n√£o passam por c√°) e para o que serve e para quem serve n√£o √© preciso melhor, nada de gastos.
O tratamento expedito e simplista que o Governo se permite dar a estas duas quest√Ķes, sem considerar minimamente a amea√ßa de desertifica√ß√£o que a falta de medidas e de investimentos no interior faz cair sobre quase metade do territ√≥rio nacional e toda a quest√£o estrat√©gica da fronteira com Espanha, p√Ķe em evid√™ncia a imaturidade e falta de sentido de Estado da generalidade dos membros do actual executivo.
√Č assim que o interior √© penalizado, pela medida grande, em mat√©ria de austeridade e, no entanto, n√£o se lhe pode assacar quaisquer culpas na d√≠vida e no agravamento da crise financeira e econ√≥mica em que o pa√≠s est√° cada vez mais afundado.
Lá veio cabisbaixo o Ministro Finanças, por estes dias, anunciar, embora sem reconhecer o caminho errado em que persiste, que execução orçamental corre mal, a receita fiscal diminui e o objectivo do deficit de 4,5 por cento, em finais de 2012, está em perigo.
Este resultado negativo foi repetida e insistentemente previsto e denunciado pelos partidos da oposição e pelos economistas que não estão tomados da cegueira ideológica que afecta os membros do Governo.
A austeridade na dose brutal com que foi imposta está a provocar uma recessão profunda, o país está a parar em ramos de actividade essenciais e assim sendo a receita fiscal não pode deixar de diminuir.
Vai o Governo recorrer a novas medidas de austeridade? O Primeiro- Ministro diz que por enquanto n√£o, mas quem o acredita depois do que tem
acontecido com suas anteriores promessas neste domínio?
A austeridade est√° a matar o pa√≠s. A massa dos desempregados que j√° ultrapassou o milh√£o, cresce todos os dias, o mesmo acontece com os milhares das empresas falidas ou encerradas, as obras suspensas ou abandonadas, os projectos de desenvolvimento adiados, enquanto pioram, √† m√≠ngua de recursos, a sa√ļde, a justi√ßa, a educa√ß√£o, a seguran√ßa social, a cultura.
√Č tempo de o Governo perceber que o pa√≠s n√£o suporta mais a austeridade que lhe est√° a impor e que tem de encarar de frente a renegocia√ß√£o dos prazos e dos juros do plano de resgate, como outros pa√≠ses est√£o a fazer.

Publicado originalmente na edi√ß√£o de Julho do ¬ęJornal do Baixo Guadiana¬Ľ


 

O seu coment√°rio
Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório

Digite em baixo os caracteres desta imagem

Se tiver dificuldade em enviar o seu coment√°rio, ou se preferir, pode enviar para o e-mail newsletter@comunistas.info.