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08 DE JULHO DE 2012, DOMINGO
Paulo Sucena
Relance sobre as eleições no Sindicato dos Professores da Grande Lisboa
Realizaram-se no passado dia 31 de Maio as eleições para os Corpos Gerentes, Conselho Fiscal e Conselho Geral (triénio 2012/2015) do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), tendo concorrido à Mesa da Assembleia Geral e Direcção Central apenas duas listas e quatro listas ao Conselho Fiscal e Conselho Geral, em que a eleição é feita por método de Hondt.
A Lista A, afecta à anterior Direcção, amplamente unitária, venceu as eleições para os diferentes órgãos do Sindicato com cerca de 1000 votos de diferença relativamente à Lista B, composta por independentes e filiados no PCP que se candidataram em destacadas posições para os diversos órgãos.

Este cenário de duas listas concorrentes aos órgãos centrais do SPGL, com composições idênticas às deste ano, verifica-se deste 2006, ano em que, apesar do ineditismo da situação, se verificou uma abstenção de 62,21%, mesmo num acto eleitoral que se disputou renhidamente. Em 2009, o fosso entre as duas listas subiu de menos de duas centenas para cerca de 1700 votos, tendo-se verificado um aumento da abstenção de 1,20%.

No actual contexto político-social, de abastardamento da democracia, de profunda crise económica, de acelerado empobrecimento de muitos milhares de famílias, de feroz ataque ao emprego docente, em que para além do despedimento avassalador de professores contratados paira sobre os docentes dos quadros o flagelo dos horários 0, era de toda a sensatez encontrar uma plataforma mais ampla, mais forte e igualmente coesa, alcançável com a integração numa lista única concorrente aos Corpos Gerentes, Conselho Fiscal e Conselho Geral do SPGL de sindicalistas afectos ao PCP. Complexas e demoradas reuniões se realizaram com esse objectivo, mas que infelizmente se saldaram de forma negativa, com a recusa daqueles sindicalistas a integrarem a lista oriunda da anterior Direcção.

Pessoalmente, considero que numa circunstância político-social acentuadamente grave, ensombrada ainda por uma política educativa perigosamente retrógrada que ameaça pôr em causa princípios de equidade e de justiça social, pilares indispensáveis a uma escola democrática, e transformar o sistema educativo num factor de acentuação das desigualdades sociais e culturais, encerrando grupos sociais em si mesmos, era imperioso que se promovesse a mais ampla unidade no maior sindicato de professores do país, pólo indispensável a uma combativa e reflectida acção da FENPROF.

Não se pense que esta dissensão espevitou os eleitores, tornando o acto eleitoral mais concorrido, porque o que se verificou foi o contrário com a subida da abstenção em quase nove pontos percentuais.

O clima de desalento, frustração profissional e desencanto que se vive nas escolas, gerado por uma política educativa que põe em causa uma escola pública de qualidade, que fere a estabilidade de emprego, que ameaça a democratização do ensino alcançada com o 25 de Abril, fazendo regredir o sistema para o tempo da ditadura fascista ao ambicionar desde já instituir um sistema dual a partir dos 10 anos de idade dos alunos, exige bom senso e finura político-sindical por parte de todos. Esta circunstância vivida pela generalidade dos docentes torna imperioso que se unam esforços em torno da direcção do SPGL (a unidade mesmo a posteriori é melhor que o dissídio) com o objectivo de reforçar e enriquecer a actividade do SPGL enquanto Sindicato e enquanto membro das estruturas sindicais em que se integra, de que destaco a FENPROF e a CGTP-IN.

Esta minha convicção é profunda, porque considero que um SPGL sustentado por uma mais ampla unidade poderá contribuir com mais eficácia para a construção de uma verdadeira democracia, impulsionada por cidadãos com capacidade de análise, de crítica e de intervenção e participação solidária, do que um SPGL dividido. E, finalmente, porque confio que é sempre possível o diálogo aberto, livre, franco e frontal. O diálogo democrático, isento de preconceitos e sectarismos.


 

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