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02 DE JUNHO DE 2013, DOMINGO
Texto de Carlos Luís Figueira
Ao longo de meses sem conta tentaram convencer-nos da inevitabilidade de medidas que o País se obrigava a cumprir porque sem essas malfadadas e supostamente inevitáveis soluções, entraríamos na bancarrota, espécie de tornado elevado à máxima potência, a partir do qual, nada ficaria de pé.
Noticias, comentários, comportamento dos partidos do chamado arco do poder - construção politica que peca, pelo menos, por ausência de cultura democrática, menosprezo pela expressão do voto e algum desrespeito pela Constituição que ainda nos rege - procuraram entediar-nos com tal inevitabilidade, enquanto o País acumulava dívida, a economia definhava, boa parte dos portugueses ficava sem emprego, num clima de empobrecimento e angustia sobre o que nos aconteceria no dia seguinte. Uns emigraram de novo, outros entregaram-se como poderam a realizar “ biscates “, outros mais depressivos, procuraram na “ mesinha “ tempero para o desespero, enquanto outros muitos, resolviam não desistir e, corajosamente, decidiram pelas suas própria cabeças, continuar a remar contra a adversidade que destruía a seu lado vidas sem conta, como se de uma qualquer maldição se tratasse.

A promessa da melhorias no dia seguinte transformou-se mais adiante na arma de entretenimento e sofisma para esconder resultados que montados nos sacrifícios da maioria e no definhamento do País, eram continuamente piores que os anunciados. Com o mesmo despudor estimulou-se o ódio ao funcionário público, como se o País não necessitasse de uma administração pública eficiente, servida por competentes trabalhadores.

Nesse preciso momento abria-se uma nova frente contra milhares de pensionistas e reformados que confiando no Estado lhes entregaram ao longo de anos de vida dinheiro suficiente para lhes assegurar uma reforma digna em final de vida. Que ilusão ! Sem qualquer hesitação foram ao saco e de lá tiravam dinheiro que não era seu para pagar encargos só justificados pela sua incompetência e subserviência.

Durante longos mêses falar de eleições antecipadas para a Assembleia da República era, sem contemplações, catalogado como sinal de cidadão irresponsável e mesmo anti patriota. O País não aguentava, a acontecer tal despautério, o estrangeiro passava a ver-nos como desprezíveis caloteiros, maus trabalhadores, malandros, sem dignidade suficiente para ombrearmos com gente bem comportada que nos fornecia o dinheiro que não tínhamos. Os tais agiotas. O medo como chantagem para a consagração da inércia.

Passadas que estão algumas semanas, a realização de eleições antecipadas ganhou algum folgo perante o descalabro da incompetência. Este sinal foi o suficiente para surgir uma nova ofensiva que se traduz em procurar convencer-nos de outra inevitabilidade que resultaria do facto das eleições não darem maioria absoluta ao Partido Socialista e, assim sendo, este teria inevitavelmente de se unir ao CDS ou ao PSD para formar governo, porque à esquerda do PS não haveria campo nem vontade para alianças ou meros compromissos em torno de plataforma politica mínima que sustentassem um governo em minoria. É tendo presente tais “ inevitabilidades “ que urge, de forma paciente, inteligente, procurar compor, sem alaridos desnecessários, outros entendimentos nos quais o Pais e a maioria dos portugueses se possam rever.

Publicado no Jornal do Algarve
Edição 30.05.2013


 

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