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04 DE JUNHO DE 2013, TERÇA FEIRA
Cipriano Justo
A questão das alianças
Existindo, ainda, quem continue a defender a permanência em funções deste governo, pelo menos até Junho de 2014, não será seguramente porque a partir dessa data passará a defender a sua queda, mas porque até lá vão folgando as costas e entretanto hão-de encontrar-se argumentos para que depois dessa data deva continuar até ao fim do mandato.
Podendo parecer intrigante que no meio deste vendaval social as última amarras que seguram a direita no poder ainda não se tenham quebrado, a verdade é que nada tem de intrigante. Se, como já ficou dito no passado por alguém particularmente habilitado, o governo é uma espécie de conselho de administração dos interesses dominantes, há então que identificar que interesses são beneficiados com a política deste governo para se precisar a base social com que se deve contar no dia seguinte à queda deste governo e à derrota desta política. Quando as deserções e os sinais de capitulação se acumulam, e o perímetro de defesa das posições governamentais vai diminuindo de diâmetro, há-de haver uma entidade que mantém a unidade de comando, e essa, por exclusão de partes, só pode ser o sistema financeiro e os seus prosélitos.

Entre a incerteza de uma alternativa e os juros que a austeridade lhes está a render, os banqueiros decidem-se pelo óbvio, mesmo que milhares dos seus compatriotas tenham de empobrecer, ficar desempregados ou emigrar. São estes os principais interesses que o governo tem a missão de representar e defender. Não é, por isso, estranho que nos partidos da direita as contradições se tenham a começado a manifestar, excluídas as que se expressam por razões conjunturais, principalmente aquelas que são movidas por razões eleitorais locais. Embora tradicionalmente a aliança entre os governos de direita e o capital financeiro tenha sido sempre pacífica e proveitosa para ambas as partes, a situação criada pelo programa de ajustamento financeiro inverteu os termos daquela equação com a passagem da direcção dos assuntos políticos para os gabinetes das instituições financeiras, mantendo-se na sede do governo algumas funções simbólicas, como a assinatura da produção legislativa. Os curricula profissionais de personalidades como Vítor Gaspar, António Borges e Carlos Moedas são suficientes para aquilatar quem, de facto, está no comando das operações.

É este o contexto em que o eleitorado da direita também está a fazer a sua actualização política, apercebendo-se que os seus actuais representantes o abandonaram às mãos da ganância e da especulação. Esta espécie de orfandade em que actualmente se encontra, com efeitos sobre as decisões eleitorais que irão tomar quando for caso disso, obriga a um exercício de discussão programática e de representação política que seja inclusiva das suas aspirações sociais, uma vez que também sobre ele se abateram as medidas que estão a devastar o tecido social. Porém, há que distinguir entre soluções programáticas cujas medidas sejam transversais ao estado de necessidade de quase todos os grupos sociais, e soluções governativas com condições para as colocar em prática. O corolário dessa distinção está na escolha da combinação interpartidária em melhores condições políticas para interpretar o processo de reconstrução do país. Por uma vez, e por todas estas razões, deve colocar-se na agenda pós-eleitoral a formação de um governo sem a representação dos dois partidos de direita, considerando as consequências sociais do fracasso da sua passagem pela governação, desde que em Junho de 2011 iniciaram as suas funções, lançando o país numa aventura catastrófica.


 
Papel da esquerda
Enviado por José Manuel Oliveira, em 07-06-2013 às 14:47:02
Como seria de esperar, o papel da esquerda não figura no comentário por ser bastante incómodo. As esquerdas nunca quiseram unir-se, nunca quiseram nem querem construir qq alternativa credível, coerente, viável. Que melhor altura do que agora? Mas não! Os partidos com representação parlamentar têm TODOS um ponto comum. Apenas visam a manutenção do status quo. Só pretendem auto-perpetuar-se nos nichos de poder que as cliques conseguiram arrebanhar, permanecem aí entrincheirados e recusam firmemente seja o que for que altere o seu profundo situacionismo. Veja-se o caso da dívida, o maior problema da nação. Todos acham que ela deve ser paga, logo consideram-na justa, legítima. Dizem combater a austeridade, mas como acreditar se concordam com a sua causa, a dívida? Não se pode ser contra a austeridade e ser a favor da sua origem.

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