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10 DE JULHO DE 2013, QUARTA-FEIRA
António Serzedelo
Portugal e a Europa, que futuro em tempo de tantas interrogações
O que está em causa é a sobrevivência da UE e da zona euro, é a coesão económica e social da Europa, e por consequência a Paz europeia, conquista do pós-guerra.
Começo por agradecer o vosso convite para participar nos trabalhos desta reunião como independente, sabendo-se que não sou comunista, antes mais próximo de uma visão social democrata da sociedade.
Já aqui foi dito por mim, que para renovar o nosso tecido político há que repensar muitos conceitos.
Não sei se enquadram exactamente dentro da visão marxista aqui defendida, mas enquadram-se certamente nos propósitos de renovação que esta associação comporta.
Diria que há no ar novas ideias que nos têm chegado pela positiva, impulsionadas pela globalização, que devem ser re-equacionados por esta formação politica.
Se olharmos para as primaveras árabes, para os indignados de Madrid, para os que queriam invadir Wall Street e a City, para os revoltados laicos da Turquia, e agora para os do Brasil, que começaram a conseguir impôr uma mudança na governação, iniciando uma contestação de rua, inesperada, num país com um crescimento invejável, mal distribuído, ou distribuído sempre pelos mesmos beneficiários, os ricos, no meio de uma enorme corrupção dos políticos, sem respeito pelos valores humanos e passarmos para Portugal, com tantos protestos de rua, e greves gerais, movimentando milhares de pessoas, acabamos por constatar que há certos temas que são comuns a todos.
Vemos que alguns deles serão favoráveis à direita, outros à esquerda tanto no plano nacional como global, mas há que os compreender.

OFENSIVA IDEOLÓGICA

Neste contexto julgo que é tempo de criar desde já uma ofensiva ideológica à esquerda, em Portugal e na Europa, que passe pela defesa de certas ideias, e sobretudo, de Valores e Princípios, que não podem ser abandonados.
A esquerda tem de voltar a recriar uma imagem de Esperança, e saber fazer novas alianças de progresso, com os jovens, com os excluídos, as classes médias, as classes populares, as diversas minorias, o trabalho, onde uma das questões importantes passa pelo Imposto.

ELEIÇÕES EUROPEIAS

A 21 de Abril do próximo ano, há as eleições parlamentares europeias e algo vai acontecer de decisivo para a Europa. Qual a continuidade da ideia de Europa?
As respostas aos inquéritos de opinião que temos não são precisas a este respeito, mas constamos que se pede uma maior regulação da economia, a exigência do reconhecimento dos novos direitos em matéria social, das minorias, estes tão caros à juventude.
Por exemplo, ao mesmo tempo que se clama para que haja mais autoridade rejeita-se o assistencialismo, constata-se uma desconfiança crescente no próximo, e nos políticos, e uma crença grande a favor das liberdades empresariais, por criarem emprego. Tudo isto a par de preocupações ecológicas, hoje um marco intransponível da nova esquerda, Direitos Humanos e corrupção.
Assistimos a uma endireitização dos partidos tradicionais da direita europeia, para tirar espaço aos da extrema-direita, e isso é visível sobretudo, na luta pelas questões de ordem moral, chamadas fracturantes entre nós.
O caso do reconhecimento dos casamentos para todos em França foi emblemático de como houve um enorme desvio de direita, na direita que até levou a violência às ruas.
Quando a esquerda governa o endireitamento da direita acelera -se, e temos de ter isso claro, pois é a luta de classes.
A subida do precarismo, reclamando o direito à segurança social e económica, pode pôr em perigo a segurança dos imigrantes, nos países onde trabalham e vivem, e isso dá força, ou pode dar, aos partidos xenófobos, veja-se na Grécia o Nova Aurora, em França a F.N, na Finlândia o partido dos Verdadeiros Filandeses e na Inglaterra o partido dos Autênticos Ingleses grande vencedor das recentes eleições autárquicas.
Por isso é preciso começar a pensar já nas eleições europeias, onde se joga o destino da UE, e do euro, e com ele o de países do Sul, como Portugal.

NOVO PARTIDO

Começaram agora a surgir propostas para se ir pensando num novo partido entre nós, por causa do desastre a que esta coligação nos levou ultrapassando o Memorando da Troika, na sequência das autárquicas, parlamentares e europeias que vamos ter, depois de se saber o que farão o PS, PCP e BE, na sequência dos resultados.

Se o PS se coligar com o PSD ou CDS na sequência das eleições parlamentares, teremos um governo de alternância, e não de alternativa como precisamos.
Este só é possível com um governo progressista para uma aliança de progresso, revendo o Memorando. Com personalidades independentes, afectas aos partidos de esquerda, ou com os partidos da esquerda, embora duvide que o PCP mude de opinião relativamente ao PS.
Essa nova formação seria um partido inter-classista, dialogante com os movimentos sociais.
Seria um partido que faz a diferença, defensor de valores ecológicos, e das energias alternativas (recordo a titulo de exemplo, o abate da floresta Amazónica, e o aquecimento da Antártida, as alterações climáticas a que assistimos), e que defenda novas formas de consumo, em detrimento da consumismo a que estamos sujeitos, que valorize e defenda a dignificação do Trabalho, os reformados, os jovens, e que não seja criador de impasses, como foi o 5 Estrelas, em Itália, sendo, sim, motor de mudanças positivas.
Que enfrente com êxito e firmeza, a corrupção, que corrói a sociedade, e analise o problema da justa distribuição dos impostos.

Precisamos de um partido que reveja o problema do salário mínimo, que proteja emprego e empresas, nos ensine a ser uma sociedade mais criativa, desenvolva ideias novas e uma novas formas de pensar, que nos permita dar valor a uma nova cultura dos lazeres e da solidariedade, incentive formas de cooperativismo, crie trabalho para os jovens, faça investimento público, revalorize o património, obrigue os bancos a investir nas empresas a juros possíveis de pagar, valorize o sistema de saúde pública, o ensino desde a Cresce até ao Universitário, aposte no Conhecimento, que perceba o papel do país no comércio internacional, e recupere e defenda a ideia de um novo desenvolvimento comum para toda a União Europeia, vitima hoje do eurocepticismo dos cidadãos, até de esquerda, como não acontecia há dois anos, pondo inclusivé em causa o euro, e que trave o crescimento muito perigoso da extrema direita e a campanha anti-partidos.
Creio que o BE poderia ter aqui, também, algum papel a desempenhar.

AS ELEIÇÕES

No tocante às eleições intercalares, não concordo, com a ideia de as fazer só para acabar com a austeridade, e depois "logo se vê"....
É absolutamente preciso ter antecipadamente ideias claras sobre isso, particularmente definindo o que é austeridade, porque a situação económico financeira portuguesa é muito complexa e frágil, e não comporta mais erros.
Devem fazer-se propostas concretas para a opinião pública as conhecer e as discutir a tempo, de molde a evitar equívocos pós-eleitorais.
Entretanto, parece evidente que se o PS se coligar à direita, abre espaço para uma formação que preenche o vácuo aberto pelo seu recuo .
Estamos numa curva perigosa da Democracia, e temos de ser arrojados porque as ideias de direita são mais fáceis de passar.
O que está em causa é a sobrevivência da UE e da zona euro, é a coesão económica e social da Europa, e por consequência a Paz europeia, conquista do pós-guerra.


 

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