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27 DE JULHO DE 2013, SÁBADO
Carlos Brito
Entrevista a Carlos Brito
1 - Pergunta da «Newsletter» da RC:
«Como comentas a opção do PCP e do BE de não entrarem no processo negocial de «Salvação Nacional» convocado pelo Presidente da República?»
2 - Resposta de Carlos Brito

O primeiro comentário é para manifestar a minha repulsa pela afrontosa «convocatória» do Presidente da República ao pretender excluir da «salvação nacional» partidos representados na Assembleia da República, como o PCP e o BE, o que ofende gravemente a Constituição e toda a prática constitucional feita ao longo de 39 anos de democracia. O que é mais grave é esta atitude discriminatória parta daquele que devia ser o garante do funcionamento regular das instituições.

O segundo comentário, muito ligado ao primeiro, é para manifestar o meu espanto pela naturalidade e a passividade com que o PCP e BE aceitaram ser excluídos da «salvação nacional», não por qualquer partido ou político adversário, mas pelo Presidente da República, com a sua carga institucional, por mais que esteja diminuído no seu estatuto. O PCP e o BE deram a ideia ao país, sobretudo quando repeliram a posição do PS de que todos os partidos representados na Assembleia da República deviam ser convidados, de que se sentem muito comodamente na posição de partidos considerados marginais, do lado do PCP até com umas graçolas do Jerónimo. Isto em política paga-se.

Foi assim que em vez de se lançarem ao combate e ao desmascaramento do conteúdo e da forma da iniciativa do Presidente da República e ao seu evidente concluiu com a coligação da direita, para darem um novo grande salto (de 4,7 mil milhões de Euros) na política de austeridade, envolvendo o PS e com a plena cobertura deste, os dois partidos da esquerda parlamentar centraram os seus ataques no PS, com sucessivos processos de intenção, chegando o PCP a animar a apresentação de uma moção de censura por parte dos «Verdes», que se revelou um grande frete ao governo de Passos Coelho, com a declarada intenção de entalar o PS. Saliente-se que o BE teve inicialmente um posicionamento positivo, através de uma declaração de João Semedo, mas depois de um encontro com o PS de «narrativas» contraditórias, acabou por alinhar com o PCP numa verdadeira aliança anti-PS.

O desenlace da operação do «compromisso para salvação nacional» mostra que os dois partidos da esquerda parlamentar não perceberam que o grande balão demagógico lançado pelo Presidente da República tinha que ser esvaziado por dentro, na prática, na acção, não só em palavras, pois tocava muito profundamente largos sectores do nosso povo, incluindo do seu próprio eleitorado, que sofrem a crise duramente, temem o seu agravamento, estão extremamente receosos do dia de amanhã e do futuro do país.
Os dois partidos não elaboraram e popularizaram, como se impunha, uma argumentação credível para contrariar a argumentação do Presidente da República contra as eleições antecipadas, que também tocou muita gente.
Colocaram-se numa posição alegadamente moral de «nojo pela negociação» para justificar a sua marginalização do processo, esquecendo-se como na história do movimento operário e socialista, de que se reclamam, o valor revolucionário da negociação foi muitas vezes decisivo para alcançar grandes avanços ou para evitar grandes recuos.

Por mais desculpas oratórias que se inventem, foi afinal o PS que, indo a jogo, esvaziou o balão da «salvação nacional», que explicou que a salvação nacional só pode ser alcançada parando a austeridade e com uma profunda mudança de política e que adiantou o essencial da moção de estratégia aprovada no seu último congresso como proposta das grandes linhas dessa nova política, completamente incompatível com a continuidade da política seguida pelo governo da direita. E ainda por cima responsabilizou o PSD pela ruptura.

Compreende-se o actual desconforto que a marginalização, que aceitaram e cultivaram, faz pairar para as bandas do PCP e do BE. Jugo que foi por senti-lo que Francisco Louça se apressa a colocar «governo e presidenciais na agenda da esquerda». Para isso, diz que «não se conta com Seguro», mas que «contamos com quem no Bloco, no PCP, no PS e em tantos sectores independentes se empenha na política que termine a austeridade e a «troika».

Boa a ideia a de reagir rapidamente, mas outra vez com o objectivo de cindir o PS? Se é isso, receamos que dê o mesmo resultado de 2011 - o recuo, a derrota, as vantagens à direita. Receamo-lo pelo futuro da esquerda e por que quem sofre é o país, a democracia e sobretudo o povo trabalhador.


 
Entrevista a Carlos Brito
Enviado por Jorge Cortez, em 30-12-2013 às 03:15:23
Ainda a propósito do comentário de 28-08-2013.

Ataques pessoais? Não camarada!

São factos. Repito:
O PS socratista ameaça o PCP, insulta o Bloco.
O PS entrega o país ao capital financeiro.
O PS avança com as nacionalizações.
O PS transforma-se num partido ao serviço da banca.
O PS cai nas malhas da corrupção.
O PS entra na jogada do BPN.

Afirmas que eu tenho "...clara manifestação de incapacidade para o debate ideológico, de que se quer armar em julgador..". Talvez não tenha a tua capacidade nem a tua inteligência. Na verdade tentei aprender também contigo. Digo-o com sinceridade, mas parece que fui mal sucedido.

Claro camarada quem sou eu para me comparar contigo? Parece ser este o sumo da tua resposta. Não conhecia esse teu lado.

O teu heróico passado e a tua vida de militante do PCP para mim estão fora de causa. Por muitos "pecados que cometas" essa parte ninguém pode apagar.

Mas isso não te dá o direito de responder a quem objectivamente apresenta factos da maneira que o fazes. Sabes melhor que eu que é assim que é verdade.

E ainda por cima acrescentas que

"São, afinal de contas, o posicionamento típico dos que se refugiam no árido e provocatório redil do sectarismo."

Olha onde está o sectarismo???

Eras tão brilhante na análise, eras simpático, mesmo quando contrariado, tinhas o dom de tentar convencer com factos. Nuca tinha visto em ti tiques estalinistas.

É pena ver essa tua mudança carregada de rancor.

Desejos de boa saúde e muitas felicidades para a tua vida pessoal.
Um Bom Ano de 2014.

Jorge Cortez
Resposta a Jorge Cortez
Enviado por Carlos Brito, em 31-08-2013 às 16:03:52
Reparo que o comentador Jorge Cortez não diz uma palavra sobre a matéria que tratei na entrevista – as posições do PCP

e do BE sobre a operação da direita que Cavaco Silva lançou e apelidou de “salvação nacional”.

Foi isto que me foi perguntado e foi disto que tratei, não de uma análise de fundo das malfeitorias do PS, que tantas vezes tenho feito

Observo que os ataques pessoais que o comentador Jorge Cortez me dirige não disfarçam a sua fuga a opinar sobre a matéria em discussão e são uma clara manifestação de incapacidade para o debate de ideológico, de que se quer armar em julgador.

São, afinal de contas, o posicionamento típico dos que se refugiam no árido e provocatório redil do sectarismo.

Por mim, lamento esta degenerescência política, mas cada um mostra o que é capaz.
Entrevista a Carlos Brito
Enviado por jorge Cortez, em 28-08-2013 às 14:30:28
Mas para quê tanto cuidado em não machocar o PS?
O PS socratista ameaça o PCP, insulta o Bloco.
O PS entrega o país ao capital financeiro.
O PS avança com as nacionalizações.
O PS transforma-se num partido ao serviço da banca.
O PS cai nas malhas da corrupção.
O PS entra na jogada do BPN.
Tudo isto e o velho comunista fala assim?

Este não é o Carlos Brito que eu conheci e tanto considerei na minha juventude. Este é um homem que ideológicamente envelheceu.
Esquerda volver
Enviado por Miguel Vital, em 01-08-2013 às 18:20:37
O PS é o núcleo central de uma alternativa ás políticas actuais e ao actual governo. Só que o PS não quer. Se na verdade o quisesse, tal como em 1975 mobilizou o país com a famosa manifestação na Fonte Luminosa, também agora teria que vir para a rua, com toda a esquerda, desmontar o golpe de Cavaco Silva, e exigir eleições antecipadas.Para Mário Soares ter vindo publicamente ameaçar Seguro com uma cisão no PS, caso este fizesse um acordo com PSD/CDS, é porque este foi muito mais do que uma mera hipótese. O PS não demonstra coragem política para liderar um governo com os outros partidos de esquerda e romper com a austeridade cega que empobrece o país. É pena que tal aconteça, mas a verdade é que a solução á esquerda está mais nas suas mãos do que em quaisquer outras.
Uma Esquerda para o governo e não para o contra-governo
Enviado por João Pedro Bernardo, em 30-07-2013 às 10:30:56
A Esquerda vive ainda presa aos fantasmas do passado. O perído do Verão Quente de 75 é para alguns uma memória ainda bem viva. Acontece que os partidos existem para alcançar o poder ou, na pior das hipóteses, influenciar o poder e em democracia o aumento da votação implica um aumento da sua capacidade de atingir ou influenciar o poder. Acontece que em Portugal, a Esquerda Radical (para usar um termo muito comum entre os cientistas políticos) não procura o poder, a sua alegada pureza ideológica, o seu alegado medo de trair os ideais pelos quais se diz bater impede-a de "sujar as mãos" com o exercício do poder. De facto Seguro temm alguma razão quando diz que Portugal precisa de uma esquerda que não tenha medo do exercício do poder. Como referiu o Daniel Oliveira numa crónica, procuram ser tão "puros" que acabam por se tornar inúteis. Seria bom para a democracia portuguesa que o PS tivesse parceiros à sua esquerda, parceiros que ajudassem à ala esquerda do partido ter argumentos para um entendimento à esquerda. Portugal é um dos poucos casos na Europa, onde s Esquerda Social-Democrata e a Esquerda Radical ou Ecologista não se conseguem entender, não conseguem criar pontes de ação comum. Onde o acordo na crítica a certas políticas de natureza liberal ou conservadora não se consegue transformar em soluções de governo verdadeiramente alternativas. Seria bom que o PCP e o BE avaliassem algumas experiências de governos de esquerda para descobrir que a passagem pelo poder não é obrigatoriamente sinónimo de perda de influência ou de traição aos seus valores. Termino relembrando que os partidos servem atingir ou influenciar o poder e não só para serem contra-poder, mas também seria importante terem presente que numa coligação é necessários fazer cedências mútuas e que o partido menos votado não pode querer governar só se o mais votado fizer tudo o que ele quer. O mais votado também não pode ver no menos votado uma mera bengala ou um tampão para controlar os efeitos sociais mais negativos de alguma políticas.
Entrevista de Carlos Brito
Enviado por Helena Rino Moraes, em 30-07-2013 às 02:13:24
Estou completamente de acordo com o comentário enviado por Telmo H.Caria. Também gostei da entrevista de Carlos Brito.
Porque é tão dificil perceber o obvio?
Enviado por Telmo H. Caria, em 29-07-2013 às 19:07:42
Mais uma vez os meus parabéns pelo óptimo comentário (entrevista de Carlos Brito). Como pergunto: porque é tão dificil perceber o óbvio? Será que o BE e o PCP sabem distinguir o que é táctica e estratégia? Terão lido o Lenine básico sobre como actuar nas conjunturas de viragem à direita? A que se deve uma tão grande falta de pensamento político, em que se confunde ideologia com fé e dogma?
Como costumo dizer aos meus amigos: o que revolta nisto tudo e a total incapacidade da esquerda em fazer política. É muito triste! Isto paga-se, muito bem!

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