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28 DE JULHO DE 2013, DOMINGO
Aceitar todos os desafios
Nota editorial da NewsLetter de Julho de 2013
Os vinte e um dias que abalaram a coligação tiveram a vantagem de mostrar as debilidades do governo em continuar a impor o seu plano de austeridade, manifestadas pela deserção de Vítor Gaspar e a tentativa de fuga de Paulo Portas.
O primeiro deixou como testamento o reconhecimento do fracasso das medidas de que foi principal ideólogo e arquitecto, o segundo acabou para se sentar na cadeira de vice-primeiro ministro e ter conseguido o predomínio do seu partido nos sectores chave da governação. Pelo meio, e percebendo a fragilidade da base de apoio político às políticas do governo, Cavaco Silva ensaiou uma manobra táctica de envolvimento do partido socialista a troco de eleições em 2014.

O resultado desta tentativa acabou por ser uma derrota política significativa, uma vez que teve de aceitar a remodelação que começou por rejeitar e viu fugir-lhe o comprometimento do PS com a agenda da direita. Sobrou-lhe a inclusão de um homem da sua confiança, Rui Machete, na equipa ministerial, porventura com a missão de lhe ir reportando em directo o que se vai passando dentro do governo.

Mas não menos importante foi a decisão do PS em ter aceitado o desafio para conversações sobre um acordo de “salvação nacional”. Tê-lo feio teve a utilidade de as partes darem a conhecer aos portugueses as condições em que esse acordo fosse celebrado e a disposição para o celebrar. Particularmente na situação em que o país se encontra, é obrigação dos partidos de esquerda combater em todas as frentes, com todas as armas: na rua, nas greves, nas instituições, mas também naquele tipo de desafios. Nenhum tipo de combate pode ser estranho ou rejeitado pela esquerda, porque só assim se consegue engrossar as fileiras de quem aspira a uma alternativa política.

Além disso, resultado das conversações teve a vantagem de tornar mais nítidos os campos em que as forças políticas se posicionam. De um lado, a direita ganhou a remodelação a que aspirava, do outro, a esquerda, mau grado os remoques, manteve o seu capital político intacto para os combates que se seguem. Digamos que foram vinte e um dias em que Maquiavel e von Clausewitz exercitaram as suas artes políticas, e das quais se devem tirar as lições para o futuro.


 

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