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15 DE SETEMBRO DE 2013, DOMINGO
FONTE: O Público
POR: Cipriano Justo
Os critérios de vitória em 29 de Setembro
A leitura dos resultados que se vierem a verificar na noite de 29 de Setembro aconselha a que se utilizem vários critérios de análise dada, mais do que nunca, a multicausalidade das decisões que vão estar presentes no momento de votar.
Desde logo, a percepção das perdas que cada eleitor tem vindo a sofrer desde que PSD/CDS constituíram governo representa uma razão particularmente relevante para uma significativa transferência do voto para as candidaturas dos partidos que têm vindo a opor-se a esta política. Apesar das múltiplas formas de protesto que têm ocorrido nestes dois anos, importa considerar que para muitos milhões de eleitores a única altura de manifestarem a avaliação que fazem das decisões do governo continua a ser o momento de depositarem o seu voto nas urnas. As disparidades nas sondagens que têm vindo a ser publicadas são um indício de que a variável austeridade vai ter uma ponderação que essas sondagens porventura não conseguiram captar em toda a sua dimensão.

Mas as atribulações da governação, seja no corrupio de entradas e saídas de ministros e secretários de estado, seja o ruído, surdo ou declarado, no interior da coligação, os vários casos que têm assombrado alguns governantes, configurando pelo menos ilícitos éticos, e o permanente afrontamento de funcionários públicos, reformados e pensionistas, vão igualmente estar presentes no processo de decisão dos eleitores, tanto mais que este género de derivas configuram a execução de um projecto político em permanente ajustamento com as imposições da CE/BCE/FMI. Aliás, a técnica da tentativa e erro tem sido o método que o governo ensaia constantemente para procurar contornar tanto a oposição que lhe é movida pelos portugueses como as disposições constitucionais, que está sistematicamente a testar.

Porém, na avaliação e julgamento que se fizer do acto eleitoral de 29 de Setembro, a especificidade do que está em jogo, a escolha do governo local, não deve ser menosprezada, já que é esse interesse imediato que vai ser decidido. E neste caso, as populações locais viram as suas condições de vida substancialmente melhoradas por acção dos autarcas que, na grande maioria dos casos, foram os principais obreiros da recuperação do atraso social em que o país se encontrava. Em menos de quarenta anos, trate-se do interior ou do litoral, das vilas ou das cidades, todos os indicadores sociais indicam que, relativamente ao âmbito dos poderes que estão consignados às autarquias, as diferenças são insofismáveis. Trata-se agora do papel que os eleitos locais podem ter na retoma do crescimento económico e do desenvolvimento social, inaugurando um ciclo de políticas locais no domínio do emprego, ensino, saúde e segurança social.

Portanto, e apesar do avassalador domínio das consequências que as políticas de austeridade se têm feito sentir, é insuficiente tomar-se como critério de vitória uma maioria de votos enquanto manifestação de desagravo pelos efeitos sociais que elas estão a provocar. A conquista da maioria das presidências e de mandatos por toda a esquerda deve ser particularmente valorizada, na medida em que não se pode dar um sinal aos eleitores de que esse objectivo é instrumental quando comparado com o significado político dos valores nacionais. Pode considerar-se que uma vitória de toda a esquerda em todos estes planos é a melhor resposta ao abortado compromisso de salvação nacional ensaiado por Cavaco Silva, cria condições políticas para se discutir o orçamento de estado numa correlação de forças mais favorável e fica como um argumento a ser considerado quando se tiver de falar de política de alianças para a constituição do futuro governo


 

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