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04 DE MARÇO DE 2014, TERÇA FEIRA
FONTE: Jornal do Baixo Guadiana
POR: Carlos Brito
OS DIAS LUMINOSOS DO 25 DE ABRIL
Carlos Brito, uma das figuras fulcrais do lado civil da Revolução, presenteia-nos aqui com o seu testemunho no 40º aniversãrio do 25 de Abril.
Neste tempo sombrio que o país atravessa, dá-nos força recordar os dias luminosos do 25 de Abril de 1974.
Num poema, escrito há uns anos, chamei-lhes: «A festa popular que não cabia /Na fantasia dos sonhos mais ousados».
A festa popular é ainda hoje a primeira recordação que me vem ao espírito quando lembro esses dias de há 40 anos.
O país levantou-se numa verdadeira explosão de alegria ao receber a notícia de que Marcelo Caetano se tinha rendido e o governo da ditadura fascista tinha sido derrubado pelos militares do MFA.
As pessoas soltaram-se das amarras do medo, saltaram para a rua, cumprimentavam-se, abraçavam-se, falavam-se umas as outras sem se conhecer, como se fossem amigos. Portugal tornou-se, durante dias, num país de irmãos, que cantava, dançava, vitoriava, aclamava, aquilo que esperara durante quase meio século: a liberdade.
Em Lisboa a festa tinha começado durante o próprio decorrer das operações militares.
Conta Salgueiro Maia, o heróico capitão que comandou o ataque vitorioso ao Quartel do Carmo, no seu relatório:
«Foi bastante importante o apoio dado pela população na realização destas operações, pois além de me indicarem todos os locais que dominavam o quartel (do Carmo) e as portas de saída deste, abriram-me portas, varandas e acessos a telhados para que a nossa posição fosse mais dominante e eficaz. Também nesta altura começaram a surgir populares com alimentos e comida, que distribuíram pelos soldados.»
A alegria e a solidariedade que acolheu a vitória dos capitães não caiu do céu. Foi o sentimento entranhado numa longa resistência e em cinco décadas de luta conduzida pelas forças antifascistas, que nunca deixaram morrer a esperança. De forma persistente souberam aproveitar as debilidades e as contradições da ditadura para reduzir a sua base de apoio social e a isolar crescentemente no plano político. Isto foi flagrante no período que antecedeu o 25 de Abril, especialmente na oposição à guerra colonial, que também ia ao encontro do descontentamento dos militares, abrindo espaço ao seu movimento e favorecendo as condições para a sua vitória.
À alegria inicial prosseguiu com a certeza, celebrada no 1º de Maio de 1974, de que não se tratava de uma qualquer mudança, mas de uma verdadeira revolução. Era o que provava a libertação dos presos políticos, a extinção da PIDE e a prisão dos seus agentes, a extinção da Censura e das organizações fascistas como a «Legião», a «União Nacional» e a «Mocidade Portuguesa», a par do amplo exercício das liberdades democráticas. Era o que confirmava o fim da guerra colonial e o reconhecimento da independência das colónias, a par de medidas de grande alcance social, como foi, entre outras, a criação do salário mínimo nacional, a segurança social, as férias pagas.
O desenvolvimento do processo implicou ainda mais: que a revolução se transformasse, para sua própria defesa, numa revolução profunda das próprias estruturas da sociedade. A contra-revolução levantava cabeça, os privilegiados do fascismo, derrotados a 25 de Abril, iniciavam a desforra. Foi assim que o próprio funcionamento da economia pôs na ordem do dia as nacionalizações, a reforma agrária, o controlo de empresas pelos trabalhadores. Mas os grandes interesses capitalistas no país, apoiados pelos congéneres internacionais, jamais deixariam de se opor, aberta ou subversivamente, à concretização do projecto libertador nascido da revolução.
Não conseguiram, no entanto, impedir a aprovação da Constituição da República, a instauração do Regime Democrático, a realização das grandes reformas institucionais chamadas: Serviço Nacional de Saúde, Democratização do Ensino, a Segurança Social Pública, o Poder Local Democrático.
Mais do que nunca, estas reformas estão hoje ameaçadas pela austeridade cega e reaccionária que governa o país. Estão, contudo, em claro crescimento as forças políticas que recusam o empobrecimento e acreditam na redenção do país pelo desenvolvimento, como nos dias luminosos de há quarenta anos. O 25 de Abril vai ganhar mais uma vez!

Carlos Brito


 

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