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18 DE ABRIL DE 2014, SEXTA FEIRA
Paulo Fidalgo (foto: 9 de Maio de 1945 - marca a vitória das forças antifascistas)
Na Europa, a extrema-direita cresce à sombra da austeridade!
De facto, parece mesmo constituir-se em lei da economia política, o ponto de vista de Mark Blyth, no seu “Austeridade, história de uma ideia perigosa” em, como, as apostas dos governos na austeridade levam a extrema-direita à proliferação, e mesmo à vitória.
Hoje vemos resultados impensáveis no nosso nível de civilização, em França e Hungria, onde as forças fascistas atingem scores preocupantes. Fala-se em tendências similares na Áustria. E, é claro, os democratas na Europa estão estupefactos com a vitória relâmpago da extrema-direita na Ucrânia, onde pelo menos 6 ministros pertencem ao partido Svoboda cujo programa passa pela prisão de comunistas, expulsão dos judeus e proibição da língua russa.

Ora, é uma evidência que o ascenso da extrema-direita se deve à incapacidade da União Europeia em responder à crise profundíssima, acentuando a tragédia social, mistificada com a campanha de que os culpados seriam os países periféricos e que deviam os seus trabalhadores ser castigados pela dita crise, por via de acusações xenófobas, que afrontam os fundamentos políticos da União Europeia.

Sabemos, cada vez com maior clareza, que a crise foi desencadeada pelo capitalismo financeirizado, com sede nos EUA, com os créditos segurados em ativos vigaristas – o subprime – perante a qual os bancos privados europeus estavam especialmente expostos, na sua ganância bem vigarista também. Ora, o que os bancos conseguiram foi transformar os seus riscos e perdas em encargo dos povos, sem que estes tenham ainda conseguido reagir.

A cartada nas formações de extrema-direita é uma forma de o capital utilizar uma reserva política para reconquistar o apoio das camadas médias, com uma promessa de rutura com a austeridade em novos moldes, culpando imigrantes, judeus, comunistas e gente de parecida duvidosa origem, pelas agruras que frustram vidas de sacrifício e poupança de grandes e pequeno-burgueses.

Mark Blyth esclarece que o nazismo e o militarismo japonês foram precisamente a saída da grande burguesia face à profunda perda de representatividade que os partidos tradicionais sofreram quando jogaram na austeridade para responder à crise do final dos anos 20 do século XX. E foi uma muito eficaz resposta à ameaça comunista que andava a assombrar por exemplo a Alemanha com laivos de revolução.

A vitória do egoísmo nacional, do eurocepticismo, dos que impedem a EU de se tornar em instrumento solidário de saída da crise, é a outra face da moeda da estratégia austeritária que coloca povos e economias em total subordinação ao dever supremo de pagar o juro ao credor. Sobretudo se o credor é banco, hedge fund ou fundo institucional. Uma economia europeia em crise, governos de direita defensores do privilégio do juro, contrários à assunção mutualizada do relançamento da economia, o egoísmo de gente arrogante, rica, são a ante-câmara do crescimento do fascismo, do enfrentamento entre nações e da guerra.

O espetáculo deveras alarmante da extrema-direita na Europa só pode ser contrariado pelo combate alargado, com alianças alargadas, que pugnem por medidas supranacionais de relançamento e estímulo económicos, para dotar a União de capacidade de intervenção económica credível e solidária.

As escolhas são portando claras: combate ao austeritarismo, investimento e relançamento económicos e estímulo à procura global na União Europeia. Nesta altura, isso tem de passar por compromissos entre a esquerda combativa, a que se alinha na Europa por Alexis Tsipras e o partido Europeu da Esquerda, e a social-democracia e os partidos socialistas. Os partidos socialistas dão mostra de grande tibieza e há os que se inclinam e submetem perante o diktat austeritário, como é o caso chocante do Partido Socialista francês, mas há muitos que, felizmente, não o farão. E quando há socialistas que dizem não, o mundo, neste caso, a Europa, pode ficar um lugar mais aprazível para ser habitado pela nossa espécie, como disse a grande Annah Arendt.

As próximas eleições europeias são portanto uma etapa decisiva da construção de uma viragem na EU e na saída para a crise, com relançamento da coesão e solidariedade entre povos e nações.Perante o avanço da extrema-direita, perante a insistência cega no austeritarismo do capitalismo financeirizado, ninguém se deve abster, ninguém pode deixar-se enredar em fantasias de votos nulos ou brancos. Todos os votos contarão para fazer os povos da Europa retomarem a senda do progresso.


 

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