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19 DE ABRIL DE 2014, SÁBADO
Cipriano Justo
Votar, votar sempre
Em 25 de Maio vão realizar-se eleições para o parlamento europeu. Tradicionalmente, os eleitores europeus consideram-nas pouco relevantes para o que directamente lhes diz respeito e para as políticas nacionais dos seus países. Daí as elevadas taxas de abstenção, quase sempre superiores a 50%. A percepção é de que o que se passa aí está mais próximo de um ritual político do que das preocupações concretas dos que são chamados a legitimar o funcionamento dessa instituição.
Porém, as políticas de austeridade que varreram a maior parte dos países europeus, com as consequências sociais que estão á vista, obriga a que se olhe para estas eleições com outra exigência. Desde logo porque partiu da Comissão Europeia o sentido e a orientação política das medidas que subverteram no curto espaço de cinco anos o adquirido ao longo de seis décadas. E competindo agora ao parlamento europeu a eleição do próximo presidente da Comissão Europeia, interessa que a sua composição contribua para eleger uma personalidade que resulte de um compromisso das forças partidárias que se têm oposto a esta deriva.

No caso de Portugal, há argumentos acrescidos para que a população considere estas eleições como uma oportunidade que não deve deixar escapar para manifestar as suas preferências político-partidárias. A coligação do governo ao apresentar-se unida em 25 de Maio dá um sinal inequívoco da sua fragilidade ao imaginar que consegue fazer das fraquezas força. Porém, uma derrota expressiva do PSD/CDS nestas eleições irá contribuir não só para eleger deputados portugueses que servirão para alterar a correlação de forças actualmente existente naquele parlamento.

Tão importante como este resultado é ficarem criadas as condições políticas para se exigir a convocação de eleições antecipadas imediatamente a seguir, uma vez que grande parte da disputa eleitoral irá ser feita em torno das consequências das medidas do governo. Se a derrota nas eleições autárquicas ainda conseguiu ser mitigada dada a sua natureza e o empenho de Cavaco Silva, uma segunda derrota passados seis meses e com toda a propaganda governamental à mistura sobre o sucesso dos resultados do programa de ajustamento só pode ser interpretada como um pesado julgamento político do PSD/CDS. Parar esta política, derrotando expressivamente a direita, é possível. Daí a importância de uma forte mobilização dos eleitores para fazerem do 25 de Maio uma manifestação inequívoca de repúdio e rejeição da austeridade.


 

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