Comunistas.infoComunistas.infoComunistas.info
QUEM SOMOS
ACTUALIDADE
-
03 DE FEVEREIRO DE 2016, QUARTA-FEIRA
FONTE: RC
POR: Cipriano Justo
Cipriano Justo comenta o relatório da Direcção Geral de Saúde
"A Saúde dos Portugueses. Perspetiva 2015 "
A Direcção Geral de Saúde publicou esta semana o relatório sobre a saúde dos portugueses e a imprensa deu notícia que o país teria melhorado alguns indicadores. O que, a ser verdade, seria um formidável feito, se tivermos em conta o cenário negro de constrangimento austeritário. Cipriano Justo é um reputado especialista de saúde pública e comenta aqui o relatório e aconselha prudência na interpretação de resultados, bem como sublinha aqueles onde se verificou regressão. O documento "A saúde do portugueses, perspectiva 2015" pode ser lido aqui.
Quando se avaliam os indicadores de saúde de um país, como em qualquer outro sector, a comparação é feita numa série longa, de pelo menos dez anos, com os indicadores dos outros países, no caso português com os países da UE28, mas sobretudo da UE15, analisando o progresso das diferenças de valores. Ou seja se a tendência é para a convergência ou para a divergência.

Mas analisando a série temporal disponibilizada, e considerando a evolução interna, interessam sobretudo dois indicadores, um empírico e outro subjectivo. O primeiro, os anos de vida saudáveis, sumariza a totalidade das acções de promoção, prevenção e tratamento. Porém, é metodologicamente difícil a alguém pronunciar-s com rigor científico quando a esperança de vida saudável num ano, 2011-2012, o valor nos homens passa de 60,4 para 64,5 anos, e nas mulheres de 58,6 para 62,6 anos, quando nos anos anteriores a variação foi de um ou menos de um ano. Mesmo assim, de 2012 para 2013, houve um declínio da esperança de vida saudável em ambos os sexos (Figura 6). O mesmo para a esperança de vida saudável aos 65 anos. Também naquele período os homens passaram de 7,8 para 9,9 anos e as mulheres de 6,3 para 9 anos, quando nos anos anteriores a variação foi bastante inferior a um ano. O segundo, a auto-apreciação do estado de saúde, no período 2011-2013, houve um agravamento da percentagem de quem considerou que tinha bom ou muito bom estado de saúde (Figura 9).

Os anos potenciais de vida perdida, a mortalidade precoce, tiveram uma evolução positiva em consequência da manutenção do bom desempenho dos cuidados na doença. É aliás o melhor indicador para medir as intervenções ligadas ao tratamento. E nesse aspecto, sobretudo o SNS, deu uma resposta à altura das exigências que lhe foram colocadas.

Quanto a alguns indicadores de mortalidade, há valores que tiveram variação indesejáveis no período 2013-2014 como a mortalidade perinatal (nados vivos + fetos mortos com mais de 28 semanas),neonatal precoce (primeiros 7 dias de idade), neonatal ( primeiros 28 dias de idade) e materna. Ou seja neste período verificou-se uma regressão dos indicadores materno-infantis.

Mas será sobretudo a série temporal 2011-2020 que nos poderá dar indicações melhores e mais consolidadas sobre o impacto da crise social no estado de saúde dos portugueses.


 

O seu comentário
Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório

Digite em baixo os caracteres desta imagem

Se tiver dificuldade em enviar o seu comentário, ou se preferir, pode enviar para o e-mail newsletter@comunistas.info.