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Torre de Babel
22 DE JULHO DE 2016, SEXTA FEIRA
FONTE: RC
POR: Paulo Fidalgo
Superar o impasse! Derrotar as direitas europeias!
Quais são as consequências da votação britânica pelo Brexit? Como deverão as forças de esquerda ajustar-se à nova realidade? É o que se tenta responder ao eleger como alvo de luta a política de direita nas instituições europeias e em demasiados países europeus.
O sentido de uma economia de produtores associados, plena de democracia, envolve indissociavelmente a superação da segmentação nacional. A nova economia está portanto conexa com a construção internacional ainda que países isolados possam fazer a avanços de forma unilateral, é certo. Em última análise, porém, a consolidação dos ganhos depende de progressos na correlação de forças, no plano internacional, também.

Na base material da produção, é hoje impensável melhorar a satisfação das necessidades populares sem uma muito densa rede de colaborações no plano internacional, em todas as esferas da economia em frontal oposição, pois, a qualquer arcaísmo paroquial. Integração, cooperação, articulação, são imperativos da própria ideia de progresso que funciona como condicionante fulcral do movimento comunista. O retrocesso na dinâmica internacional traria necessariamente custos antes de mais aos “de baixo”, àqueles que mais precisam de usufruir do prodigioso avanço do mundo.

O problema é determinar-se porém qual é o motor que impulsiona a saga internacional. Os dados parecem mostrar que a iniciativa da burguesia está comprometida, cada vez mais que está prisioneira de interesses particulares, conflituosos, que a impede de agarrar as rédeas do cavalo da história. A crise de 2008 veio mostrar como muitas forças burguesas se estão a passar para o lado do nacionalismo, adiando e paralisando o processo de construção europeia. É tempo, pois, de se afirmarem forças novas que capacitem a história a avançar.

Na presente fase, defendeu-se a tese de que o impulso supranacional do capitalismo seria objetivamente determinado para assegurar a expansão e acumulação capitalistas, por via do fim das barreiras aduaneiras, como forma de estimular o negócio e alargar o espaço mercantil à sua operação. Numa avaliação mais fina, postulou-se a necessidade de contrariar a lei da queda tendencial da taxa de lucro (Nikos Poulantzas: State Power, Socialism) e fez-se realçar a força compulsiva dessa resposta por parte dos agentes do capital. Porém, se é compreensível o impulso para romper os limites do Estado – nação, há também objeções à capacidade dos capitalistas se entenderem por cima das fortíssimas contradições e rivalidades que decorrem da produção competitiva de mercadorias e da divisão de áreas de influência. Esses entendimentos, possíveis que sejam, dificilmente perdurarão e estarão em risco constante de retrocesso. Rivalidade brutal, destruidora, e tréguas favoráveis à montagem de dispositivos supranacionais, serão portanto os polos por onde oscila o humor dos centros capitalistas, consoante pressentem ganhos por um ou por outro caminho.

A formação da UE correspondeu, entre factores vários, à preponderância de uma trégua capaz de romper as barreiras aduaneiras que antes travavam o negócio e que quase levaram ao fim do próprio capitalismo. Revestida essa trégua, é claro, de uma ideologia cosmopolita e de paz, de resto bastante chauvinista e euro-cêntrica, prometedora que era da formação de um espaço baseado nos “valores europeus”.

A crítica comunista ao capitalismo nunca se deve deixar confundir com a crítica que sectores reacionários fazem do impulso globalizador e que defendem, em última análise, um regresso utópico à autarcia nacional para restaurar um certo bucolismo, senão mesmo um estatuto de era imperial ou colonial próprios de um passado que não voltará.

Esse espírito reapareceu no seu esplendor de ridículo com as afirmações da nova primeira ministra conservadora inglesa ao afirmar que, com a saída da UE, o Reino Unido voltaria a ser grande no mundo.

Pelo contrário, a crítica comunista denuncia a forma como a construção europeia se está processando, em ilegítimo favor das classes dominantes. E denuncia o não cumprimento das promessas cada vez mais iludidas pelas intrigas entre rivais que travam as necessárias, integração e cooperação económicas. A crítica comunista visa alvejar todos aqueles que estão a impedir a construção de um espaço de solidariedade, progresso e paz. Para os comunistas, a origem da crise, e a responsabilidade pelas crescentes ameaças nacionalistas e reacionárias, está na perigosa hegemonia das políticas de direita, no diretório europeu e à frente de muitos países membros.

É a política de direita que está a impedir a construção europeia e que ameaça com o regresso à confrontação aberta. E que compromete, é claro, a possibilidade de se aproveitarem em plenitude as formidáveis possibilidades do continente a favor da prosperidade geral.

Os comunistas têm agido para a formação de uma vasta aliança, incluindo com a social-democracia, com o intuito de dotar as instituições supranacionais de mais democracia, transparência, responsabilização e prestação de contas. Ao mesmo tempo aceitam explorar desenvolvimentos de índole supranacional como seja a mudança do mandato do BCE a favor da defesa do emprego, a mutualização de parte da dívida pública, a adopção de um orçamento comunitário com fiscalidade em base europeia para se alcançar uma redistribuição materialmente sensível dos rendimentos, consolidar a viabilidade da moeda única e acomodar os anseios de desenvolvimento das regiões menos favorecidas. Opõem-se, encarniçadamente, a esta linha as forças da direita cada vez mais remetidas à mera defesa de prerrogativas e das relações de dominação de que são esteio e pilar.

À esquerda, falta ainda uma linha clara do que deve ser o seu projeto europeu, que anime a ação consertada em todos os países e supere as respostas expontaneístas de recusa primária da supranacionalidade. Depois dos auspiciosos avanços na Grécia e em Portugal, não foi possível construir ainda novas realidades políticas em países como Espanha, Itália e França e colocar na defensiva as orientações reacionárias do governo alemão e holandês e aliados. E sem alterar este estado de coisas não será possível dar novo dinamismo e reforma à dinâmica europeia.

O acontecimento do Brexit, de modo algum gerou o suposto “abanão” que iria permitir desbloquear, no resto da Europa, novos avanços na construção europeia, como defenderam alguns. Antes guinou à direita o Reino Unido, e não beliscou os restantes líderes europeus. Reforçou os eurocépticos e está a travar a construção europeia.

Do lado do diretório europeu, o que mais impressiona, é de facto a total ausência de resposta adaptativa. As direitas europeias agem como se não tivesse acontecido nada e como se não fosse preciso mudar nada face ao descalabro que a saída do Reino Unido representa. Essa cegueira é um incitamento para que a esquerda desenvolva a sua ação a favor de uma nova Europa.

A construção supranacional é por demais necessária para desbloquear a prosperidade no continente. Como sempre, a alternativa é, ou cooperação – entre os povos - ou barbárie, e aos comunistas caberá ocupar o lugar certo da história.


 
FALTAM AS PRINCIPAIS VARIÁVEIS À VOSSA 'ANÁLISE MARXISTA' ESCOLÁSTICA'
Enviado por José G. Pereira Bastos, em 25-07-2016 às 00:09:39
O economicismo e o internacionalismo marxistas são curtos de vistas, num mundo sujeito a um PROJECTO GEO-ESTRATÉGICO NACIONALISTA DE DOMINAÇÃO ANGLO-AMERICANA-SIONISTA DO MUNDO, na fase actual de criação do 'inimigo' sunita (a que outros se seguirão), após
a implosão do Bloco Soviético. Criação de Traumas Históricos (Torres Rockfeller), invasões militares (Afeganistão, Iraque) e implementação de guerras civis (Líbia, Síria), ensaios de emgenaria territorial (sempre falhados) e agora a invasão islâmica reaccionária do Protectorado Europa, legitimam o Brexit. Estarão cegos?

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