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28 DE ABRIL DE 2007, S√ĀBADO
por Jorge Nascimento Fernandes
Mais uma manifestação de sectarismo do novo MRPP
A manifesta√ß√£o do 25 de Abril em Lisboa foi palco de manifesta√ß√Ķes de sectarismo, desde os m√ļltiplos sinais exteriores de partidarismo, at√© √†s vaias a membros da Comiss√£o Promotora. O que obviamente contraria o esp√≠rito unit√°rio da inciativa e desrespeita a mem√≥ria da pr√≥pria revou√ß√£o. JNF insurge-se contra esta doen√ßa divisionista e alerta para a analogia com graves li√ß√Ķes da hist√≥ria que, no passado, no processo de ascens√£o do fascismo na Europa, deram aso √† progress√£o da direita e ao retrocesso do movimento democr√°tico.
Na manifesta√ß√£o popular do 25 de Abril, que decorreu na Av. da Liberdade, em Lisboa, quando a apresentadora chamava para o palco os representantes das diversas organiza√ß√Ķes que promoviam aquela manifesta√ß√£o, os rapazinhos da Juventude Comunista Portuguesa (JCP), facilmente identific√°veis, porque eram os √ļnicos que levavam as suas bandeiras partid√°rias desfraldadas, apuparam primeiro o representante da Juventude Socialista, depois o da Renova√ß√£o Comunista (RC) e por √ļltimo o Edmundo Pedro, do Partido Socialista (PS). Este acto, que pelo menos em rela√ß√£o √† RC j√° se tinha registado em anos anteriores, d√° bem a ideia de intoler√Ęncia e incapacidade de conviver democraticamente com outras correntes pol√≠ticas, principalmente se estas ousarem designar-se comunistas. Comunismo s√≥ h√° um, o do PCP e mais nenhum.
Mas se estas atitudes s√≥ comprometem aqueles que as assumem e neste caso era um grupo restrito de meninos identificados com a JCP, j√° as posi√ß√Ķes assumidas pelo PCP, JCP e grupos afins durante a prepara√ß√£o da manifesta√ß√£o revela uma total incapacidade de, neste momento, participarem em qualquer organiza√ß√£o que se considere verdadeiramente unit√°ria.
Assim, chamaria a aten√ß√£o para que este ano foi imposs√≠vel apresentar um manifesto comum √†s diferentes organiza√ß√Ķes promotoras da manifesta√ß√£o de apelo √† participa√ß√£o na mesma. Tal como tem sucedido em anos anteriores o Eng. Aquilino Ribeiro Machado, com uma enorme paci√™ncia, apresentou mais uma vez um borr√£o √† considera√ß√£o de todos os representantes das organiza√ß√Ķes promotoras. O PCP e organiza√ß√Ķes afins, propuseram logo de in√≠cio um conjunto t√£o grande de emendas que tornavam invi√°vel a leitura daquele texto e a sua aceita√ß√£o pelas outras organiza√ß√Ķes, fora da sua √°rea de influ√™ncia, com principal destaque para o Partido Socialista. √Č evidente que o PCP preferiu a n√£o exist√™ncia de um manifesto √† apresenta√ß√£o do que tinha sido elaborado. Ningu√©m inviabilizou pequenas correc√ß√Ķes, algumas propostas pelo pr√≥prio PCP, mas era imposs√≠vel aceitar uma desvirtua√ß√£o t√£o completa do texto inicial. √Č evidente que o que estava em causa desde o in√≠cio era que o PCP e seus companheiros queriam, num texto que se queria sint√©tico e curto, estar constantemente a sublinhar todas as garantias constitucionais relativamente aos direitos sociais. E ainda est√°vamos num dos primeiros par√°grafos. Sabia-se que mais para diante eram apresentadas altera√ß√Ķes muito mais significativas. Seria elucidativo apresentar a vers√£o original e as altera√ß√Ķes propostas, mas n√£o as possuo.
Mas a manifesta√ß√£o mais evidente de sectarismo foi a que se verificou com a recusa do Ricardo Ara√ļjo Pereira (RAP), dos Gatos Fedorentos, para falar em nome das organiza√ß√Ķes juvenis. N√£o estive por dentro do processo de recusa, mas √© evidente que, para quem acha que estas manifesta√ß√Ķes valem pelo impacto medi√°tico que alcan√ßam, era muito mais significativo ter o RAP a discursar, do que um jovem sindicalista, como era apresentado pela JCP, a falar, por muitas verdades que transmitisse sobre a actual situa√ß√£o laboral.
Veja-se esta p√©rola de algu√©m que aparece a defender a posi√ß√£o da JCP: ‚Äúobviamente que com isto ganha principalmente o PS (que assim se safa de mais uma interven√ß√£o cr√≠tica e logo no 25 de Abril)‚ÄĚ. Ou esta outra, ainda mais significativa: ‚Äúo RAP n√£o passou de um pretexto da JS e do BE para que n√£o houvesse do palco do 25 de Abril em Lisboa um discurso feito por um jovem contra as pol√≠ticas do governo. ... . Usaram indecentemente o nome de RAP para esconderem que o que N√ÉO queriam mesmo era um jovem a malhar no palco do 25 de Abril em Lisboa nas pol√≠ticas do governo do PS.‚ÄĚ
Perante afirma√ß√Ķes deste tipo, mas que reflectem uma mentalidade, o que se pode acrescentar.
Como já tenho afirmado publicamente, neste momento a Direcção do PCP arrasta este para um caminho sectário e esquerdista, que a longo prazo o transformará num Partido marginal ao sistema político, com quem é impossível estabelecer qualquer compromisso político, tornando-o numa espécie de MRRP dos tempos actuais.
Esta prática, que em diversas alturas atacou o movimento comunista e que conduziu à célebre manifestação de sectarismo de Classe contra Classe do final dos anos 20 e início de 30 do século passado, foi responsável pela derrota do Partido Comunista Alemão (PCA) e pelo desarme da esquerda na resistência à ascensão do nazismo. Foi a época em que o PCA acusava os sociais-democratas de sociais-fascistas (socialistas nas palavras e fascistas nos actos). Mais tarde o MRRP serviu-se desta consigna para atacar o PCP.
Espero em artigo posterior dar conta deste desvio histórico do movimento comunista, que lamentavelmente tanto se assemelha com a actual deriva sectária e esquerdista da Direcção do PCP.


 

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